
A Justiça da Itália agendou uma nova audiência para avaliar mais uma vez o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL). A audiência está prevista para o dia 29 de outubro.
O pedido é referente ao caso em que Zambelli perseguiu com uma arma um homem pelas ruas de São Paulo. Em julho, a Justiça havia anulado a extradição e determinado a apresentação de mais garantias do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os italianos exigem mais informações sobre o tratamento que ela receberia no sistema prisional no Brasil, tendo em vista as condições de saúde da ex-deputada, que apresentou quadros de fibromialgia e desmaios.
Sendo assim, a Justiça determinou que o pedido brasileiro voltasse à fase inicial e fosse submetido a um novo julgamento.
Após a apresentação das informações, a data do novo julgamento foi marcada. A audiência foi agendada para o dia 29 de outubro, logo após o segundo turno das eleições presidenciais.
A defesa de Carla Zambelli afirmou que este pedido também deve ser negado por conta da falta de garantias processuais e do âmbito de direitos humanos e princípios fundamentais.
Além disso, os advogados também informaram que devem apresentar ao STF duas revisões criminais e dois pedidos de exclusão da lista da Interpol.
Ainda de acordo com a defesa, as duas condenações no Brasil são abusivas, ilegais e baseadas em perseguição política.
Carla Zambelli foi localizada e presa na Itália em 2025. No entanto, em maio deste ano, a Justiça italiana negou o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro e determinou a libertação. Atualmente, a ex-deputada responde em liberdade no país europeu.
O caso
O caso ocorreu em 29 de outubro de 2022, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Zambelli perseguiu armada o jornalista Luan Araújo, após uma troca de provocações.
Araújo manifestava apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi seguido pela deputada por cerca de 100 metros.
Por esse crime, Zambelli foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto, além da perda do mandato parlamentar. Ela também foi condenada ao pagamento de uma multa de cerca de R$ 480 mil.
Posteriormente, Zambelli também foi condenada no processo relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), caso que resultou em pena de dez anos de prisão.
Fuga e prisão na Itália
Zambelli tem cidadania italiana e deixou o Brasil em junho de 2025, após ser condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela invasão aos sistemas do CNJ. A viagem aconteceu mesmo após determinação de prisão preventiva pelo ministro Alexandre de Moraes.
A condenação está relacionada à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em janeiro de 2023, em parceria com o hacker Walter Delgatti, quando foi inserido um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.
A ex-deputada passou pelos Estados Unidos e pela Argentina antes de seguir para a Itália. Após deixar o país, a deputada passou a ser considerada foragida internacional e teve o nome incluído na lista vermelha da Interpol.