
O candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, comparou a repercussão de uma notícia falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida à facada sofrida por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante a campanha eleitoral de 2018. A declaração foi feita na noite de segunda-feira (28), durante participação no podcast católico SantoFlow, em meio à polêmica sobre o título de padroeira do Brasil.
“Posso considerar uma espécie de facada essa fake news em mim. Lá em Minas Gerais meu pai foi vítima de uma facada”, afirmou o senador, que segurava um boneco de crochê de Nossa Senhora Aparecida durante a entrevista.
Flávio voltou a negar que tenha defendido a retirada do título de padroeira do Brasil da santa e acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de estar por trás da divulgação do conteúdo. As acusações contra o partido foram apresentadas pelo candidato, sem comprovação pública nas declarações reproduzidas.
Entenda a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida
A controvérsia ganhou força nas redes sociais na última semana, quando publicações passaram a associar Flávio Bolsonaro a uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A disseminação do conteúdo ocorreu após a circulação de um vídeo de agosto, no qual o senador afirmou que, caso fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. A declaração foi interpretada por usuários como um possível sinal de mudança na relação do Estado com símbolos religiosos católicos.
Contudo, a proposta legislativa associada à controvérsia foi apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli. O Projeto de Lei 2.623/2007 previa alterar a legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto foi arquivado em 2008, sem relação com uma iniciativa apresentada por Flávio Bolsonaro.
O senador negou ter apoiado o projeto ou participado de qualquer movimento para retirar o título da santa. Durante a entrevista, também afirmou que pretende tomar medidas contra os responsáveis pela divulgação da informação.
Caso chegou à Justiça Eleitoral
A discussão também teve desdobramentos na Justiça. Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de publicações que apresentavam como verdadeira a alegação de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a decisão em um caso específico, liberando a permanência de uma publicação sobre o assunto. A decisão foi fundamentada na liberdade de expressão.
A campanha de Flávio também recorreu ao ministro Luiz Fux, do STF, para tentar suspender a decisão de Dino e levar a questão ao plenário da Corte.
A polêmica passou a integrar o debate político e religioso na reta final da campanha presidencial de 2026, envolvendo a circulação de informações falsas, a relação entre religião e política e a disputa por apoio entre eleitores católicos e evangélicos