Flávio Bolsonaro
Foto: PH Lopes
Flávio Bolsonaro

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL)  acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) e integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de articularem a disseminação de informações falsas sobre Nossa Senhora Aparecida. A declaração foi feita neste domingo (27), durante um evento de campanha em Goiás. A entidade religiosa reagiu às afirmações e negou envolvimento na produção ou divulgação de conteúdos falsos relacionados ao processo eleitoral.

A polêmica envolve publicações que circularam nas redes sociais com a alegação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O senador negou a existência de qualquer iniciativa nesse sentido e classificou o episódio como a maior notícia falsa de sua campanha.

Ao comentar o caso, Flávio afirmou que o PT estaria tentando disseminar a informação havia alguns dias e que teria contado com a ajuda de pessoas ligadas à CNBB.

“A maior fake news da campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil. Jamais existiu. Não tem projeto. Não tem nada. E o PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB”, declarou o senador.

CNBB responde a declarações de Flávio Bolsonaro

Após as declarações do candidato, a CNBB publicou uma nota de esclarecimento nas redes sociais. A instituição afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas às eleições.

A conferência também repudiou a utilização de conteúdos falsos, independentemente de sua origem ou de quem possa ser beneficiado ou prejudicado por eles. No comunicado, a entidade ressaltou que não integra estruturas político-partidárias, de partidos ou de candidaturas.

A nota afirma ainda que atribuir à instituição participação em iniciativas de desinformação sem fatos e provas que sustentem a afirmação atinge injustamente a entidade.

“A mentira não se combate com outra mentira”, declarou a CNBB, ao reafirmar seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.

A entidade também explicou que suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência.

Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida chega ao STF

A discussão sobre as publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida também teve desdobramentos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça determinou a remoção de uma publicação do ator e humorista Antonio Tabet relacionada ao tema. A decisão ocorreu em meio à circulação de conteúdos que associavam Flávio Bolsonaro a uma possível mudança no título de Padroeira do Brasil.

No domingo (27), o ministro Flávio Dino reverteu a determinação e liberou a publicação. Ao justificar a decisão, Dino apontou a necessidade de proteger a liberdade de expressão, especialmente no contexto eleitoral, em que críticas e manifestações políticas ganham maior visibilidade.

Flávio Bolsonaro criticou a decisão de Dino e afirmou que o ministro teria liberado a atuação do que chamou de “Liga da Mentira do PT”.

Boato sobre a padroeira alcançou quase 1 milhão de publicações

A repercussão da controvérsia foi além das declarações de políticos e das manifestações religiosas. Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque divulgado pelo Estadão, o episódio acumulou aproximadamente 977,6 mil publicações nas redes sociais e 8,5 milhões de interações em cerca de 55 horas, considerando dados coletados até a tarde de sábado (26).

O volume colocou o assunto como o terceiro tema político de maior repercussão nas redes sociais em 2026, de acordo com o monitoramento citado pelo jornal.

A circulação do conteúdo ocorreu principalmente em publicações que relacionavam Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A narrativa também recuperou um projeto de lei apresentado em 2007, quase duas décadas antes da atual disputa eleitoral.

A proposta foi apresentada pelo então deputado federal Victório Galli (PMDB-MT), atualmente filiado ao Progressistas (PP). O texto pretendia alterar a legislação relacionada ao feriado nacional de 12 de outubro, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi arquivado em 2008 e não foi apresentado por Flávio Bolsonaro.

Quem fez a primeira publicação sobre o assunto?

Segundo informações divulgadas pelo Estadão Verifica, a primeira publicação identificada no monitoramento apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro foi feita pelo publicitário Jeferson de Oliveira Monteiro, criador do perfil de humor Dilma Bolada.

O conteúdo foi publicado no X às 21h50 de quarta-feira (23). Na mensagem, Monteiro escreveu que católicos não deveriam votar em candidatos que quisessem retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, mencionando os Bolsonaro.

A identificação da postagem como o primeiro registro localizado foi atribuída ao monitoramento da campanha do senador. Jeferson Monteiro, por sua vez, contestou ser o responsável pela criação da notícia falsa, segundo informações publicadas pela imprensa.

O projeto de lei citado nas publicações foi apresentado por Victório Galli em 2007, quando ele era filiado ao PMDB, atual MDB. Posteriormente, Galli foi assessor especial da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro, em 2019. A proposta, no entanto, havia sido arquivada em 2008, antes da eleição de Flávio Bolsonaro para o Senado.

A controvérsia ganhou dimensão nacional e passou a envolver manifestações de políticos, esclarecimentos da CNBB e decisões judiciais sobre conteúdos publicados nas redes sociais durante o período eleitoral.


Leia a íntegra da nota da CNBB

"Diante de informações e manifestações que circulam nas redes sociais envolvendo o nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esclarecemos:

A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral.

A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.

A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura.

Suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios públicos expressos em seus documentos, orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência.

Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira.

A CNBB reafirma seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz."

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