Humberto Tupinambá e Antônio Carlos Freixo Júnior
Montagem iG/Reprodução
Humberto Tupinambá e Antônio Carlos Freixo Júnior

O ex-executivo do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, que firmou acordo de delação premiada nas investigações sobre o Banco Master, estão entre os alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24). 

A operação investiga uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada ao setor de combustíveis. Ao todo, são cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em sete estados.

Além de Humberto e Freixo, os irmãos André e Bruno Tupinambá também são alvos das medidas. As informações foram divulgadas pelo g1, que acompanha a operação.

Os mandados foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva (SP) e são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.

Quem são os alvos da operação?

Humberto Arthur Tupinambá Neto é ex-executivo do Banco Genial. Ele estava na instituição desde agosto de 2022 e, segundo o banco, deixou a diretoria em maio de 2026.

O Banco Genial informou que Tupinambá não é mais integrante da diretoria nem sócio da instituição. Contudo, a investigação apura supostas ligações dele com integrantes do esquema investigado pela Carbono Oculto no período em que ainda atuava no mercado financeiro.

Os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá, também estão entre os alvos das buscas realizadas nesta quinta-feira.

Outro nome de destaque é Antonio Carlos Freixo Junior, empresário e proprietário da Entre Investimentos. A empresa enviou US$ 12,3 milhões (R$ 63,57 milhões) para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Freixo firmou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso relacionado ao Master.

A participação dele como alvo desta fase da Carbono Oculto está relacionada, segundo a investigação, à estrutura financeira utilizada na aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana.

O g1 informou que procurou as defesas da Entre Investimentos e da Terrana e aguardava retorno.

O que a Operação Carbono Oculto investiga

A terceira fase da operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal.

O foco desta etapa é a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.

Segundo o Ministério Público, os envolvidos teriam criado uma estrutura formada por fundos de investimento e empresas para assumir o controle da distribuidora e, ao mesmo tempo, dificultar a identificação da origem dos recursos e dos verdadeiros responsáveis pelos ativos.

A investigação aponta que mais de R$ 120 milhões teriam circulado por diferentes empresas e contas antes de chegar à estrutura usada na aquisição da Terrana.

Como funcionaria o esquema investigado

De acordo com o GAECO, diferentes empresas e fundos teriam sido utilizados para movimentar os recursos.

Entre as estruturas citadas na investigação estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings e Branson Holdings.

Segundo os investigadores, algumas dessas empresas foram constituídas poucos meses antes da operação de compra da distribuidora.

O Ministério Público também aponta que valores teriam passado por empresas como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.

Essas companhias são apontadas na investigação como parte de uma rede de movimentação financeira. Os recursos teriam transitado por diferentes contas antes de chegar à estrutura relacionada à aquisição da Terrana.

Investigação aponta uso de empresas e “laranjas”

Os investigadores analisam a possibilidade de que a estrutura societária tenha sido utilizada para ocultar os verdadeiros controladores dos negócios e dos recursos.

Segundo o GAECO, pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, teriam sido utilizadas para dificultar a identificação dos responsáveis pelos ativos.

A investigação é baseada em diferentes tipos de documentos, entre eles relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), registros bancários, informações fornecidas pelo Banco Genial e mensagens extraídas de celulares apreendidos em etapas anteriores.

O material é analisado pelos investigadores para tentar reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e identificar a participação de cada envolvido.

Quem são “Beto Louco” e “Primo”?

O Ministério Público aponta Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de “Primo”, como os responsáveis pela liderança da organização criminosa investigada, o PCC

Mohamad Hussein Mourad, conhecido como
Reprodução
Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco"


Apesar de serem apontados como chefes do grupo, os dois não estão entre os alvos dos mandados cumpridos nesta terceira fase.

A investigação sobre eles faz parte do contexto mais amplo da Carbono Oculto, que apura uma estrutura com atuação no setor de combustíveis e movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.

Qual é a relação com o Banco Master?

A presença de Antonio Carlos Freixo Junior entre os alvos cria uma conexão entre a nova fase da operação e as investigações envolvendo o Banco Master.

Freixo é dono da Entre Investimentos e fechou acordo de delação com a PGR no âmbito das apurações envolvendo o banco e seu antigo controlador, Daniel Vorcaro.

Entretanto, as duas investigações não são a mesma coisa.

Na Carbono Oculto, o foco desta fase está na suposta estrutura utilizada para a aquisição da distribuidora Terrana e a movimentação de recursos no setor de combustíveis.

A participação de pessoas ligadas ao caso Master é um dos elementos que chamou atenção nesta nova etapa da operação.


O que acontece depois das buscas

Os investigadores devem analisar documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais recolhidos durante o cumprimento dos mandados.

A partir desse material, o Ministério Público poderá aprofundar a reconstrução das operações financeiras e verificar a eventual participação de cada um dos alvos.

As buscas e apreensões fazem parte de uma investigação em andamento e não significam, por si só, que os alvos tenham sido condenados ou que as suspeitas tenham sido definitivamente comprovadas.

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