
A Polícia Federal desmarcou, mais uma vez, o depoimento de Daniel Vorcaro que aconteceria nesta quinta-feira (24), atendendo pedido apresentado pela defesa do ex-banqueiro, dono do Banco Master. Segundo os advogados, Vorcaro “possui total interesse em prestar seu depoimento”, mas eles alegam que ainda não tiveram acesso à íntegra dos documentos reunidos pela PF nas investigações.
Essa oitiva já havia sido adiada em 15 de setembro. Na ocasião, a oitiva estava prevista para aquele dia, mas os advogados pediram mais tempo para analisar o material da investigação e afirmaram não ter certeza de que tiveram acesso integral aos autos.
O depoimento desta quinta dizia respeito ao grupo conhecido como “A Turma", estrutura paralela investigada no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, o grupo teria sido criado para monitorar pessoas, obter informações sigilosas e intimidar desafetos de Vorcaro.
De acordo com a investigações, Daniel Vorcaro pagava R$ 1 milhão por mês para manter a “Turma”. Luiz Phillippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, foi apontado como operador responsável por coordenar ações de obtenção de informações e monitoramento.
Os investigadores apontam que Sicário foi contratado para realizar acesso “recorrente e irregular a procedimentos sigilosos em andamento no Ministério Público Federal (MPF), na PF, na Polícia Civil e no Banco Central.
No documento de 164 páginas, que inclui reproduções (prints) de conversas de WhatsApp entre os envolvidos, incluindo funcionários públicos, a PF explica que o acesso clandestino se dava por meio da “utilização de logins funcionais de terceiros”. A estrutura paralela atuava também na extração indevida de documentos e em consultas realizadas sem autorização em sistemas internos das instituições.
Luiz Phillippi Machado de Moraes Mourão foi preso pela PF em março e se suicidou na cela.
Acesso ao material e 10 dias para análise
Os advogados acionaram o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pedindo o adiamento da oitiva. Não houve despacho do ministro, mas a delegada responsável pelo caso concordou com o argumento da defesa e informou que disponibilizará a íntegra do material.
Os advogados de Vorcaro querem acesso a relatórios, provas, depoimentos, telefones de outros investigados e demais elementos colhidos na investigação.
Eles alegaram ainda que, com os documentos em mãos, vão precisar de pelo menos dez dias úteis para analisar o material e conversar com o ex-banqueiro, que está preso na carceragem 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
Caso fosse mantido o depoimento nesta quinta-feira (23) sem a concessão de acesso à totalidade dos documentos, Vorcaro seria orientado por seus advogados a permanecer em silêncio.
As oitivas estavam previstas para os dias 24 e 30 de setembro, no âmbito das investigações sobre o caso Master que tramitam no STF. Ainda não há previsão da data do novo depoimento.