
Um grupo de pesquisadores japoneses desenvolveu um medicamento contra a doença renal crônica dos gatos que pode aumentar de forma significativa a longevidade dos animais. Batizado de FeliAIM, o tratamento repõe uma proteína que, embora já exista de forma natural no organismo felino, não consegue desempenhar corretamente uma de suas principais funções.

A pesquisa é liderada pelo médico e imunologista Toru Miyazaki, diretor do Instituto de Medicina AIM, no Japão. O cientista trabalha com a proteína AIM, sigla em inglês para inibidor de apoptose de macrófagos, desde a década de 1990. Em gatos, a AIM fica ligada com força incomum à imunoglobulina M, conhecida como IgM.

Um estudo publicado na revista Scientific Reports mostrou que essa ligação é aproximadamente mil vezes mais forte do que a observada em camundongos, por exemplo. Como resultado, a proteína não se desprende quando os rins sofrem lesões e deixa de alcançar os túbulos renais para auxiliar na remoção de células mortas e outros resíduos, complicando a vida felina.

Com o passar do tempo, o material ainda pode permanecer nos rins e contribuir para a perda progressiva da função renal. A doença é frequente entre gatos idosos, matando milhares de pets todos os anos. Dados do Cornell Feline Health Center indicam que o mal atinge até 40% dos animais acima dos 10 anos e aproximadamente 80% daqueles com mais de 15.
Tratamento elevou sobrevivência de gatos doentes

O FeliAIM fornece ao organismo dos felinos uma versão funcional da proteína. A proposta é permitir que ela se ligue aos resíduos acumulados e facilite sua remoção antes que a deterioração dos rins avance. Os primeiros resultados clínicos foram publicados em fevereiro deste ano no periódico The Veterinary Journal.

Entre os gatos com doença renal avançada e maior concentração de sulfato de indoxila, 11 receberam AIM recombinante e 15 permaneceram sem o tratamento experimental. Após 360 dias, 83% dos animais tratados que receberam AIM felino permaneciam vivos. No grupo de controle, no entanto, a sobrevivência foi de apenas 20%. O tempo mediano de sobrevivência entre os animais não tratados ficou em 167 dias.

Os pesquisadores também verificaram estabilização de marcadores relacionados à função dos rins e menor acúmulo de toxinas urêmicas nos animais tratados. Ademais, Miyazaki passou a defender que a prevenção das mortes por doença renal poderia levar gatos domésticos, cuja expectativa de vida costuma ficar próxima dos 15 anos, a alcançar os 30.

A IAM CAT pediu ao Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão autorização para fabricar e comercializar o FeliAIM em 24 de abril. Até setembro, o medicamento ainda não havia recebido a aprovação definitiva do governo japonês.
