
A primavera será marcada por extremos de seca e chuva, com influência do El Niño. A estação começa nesta terça-feira (22), às 21h05, e deve ser marcada por um forte contraste entre chuva acima da média e áreas com risco de queimadas.
De acordo com os especialistas, o cenário ocorre sob influência do fenômeno El Niño, que atingiu a categoria muito forte no dia 14 de setembro.
De acordo com o meteorologista da Tempo OK, Celso Oliveira, o Brasil vai ficar dividido em dois cenários nesta estação.
Podemos dividir o Brasil em dois cenários opostos durante a primavera: de um lado, regiões sob risco de enchentes e transtornos provocados pelo excesso de chuva; de outro, áreas sujeitas a estiagem grave e maior risco de queimadas.”
Sendo assim, a previsão indica uma chuva acima da média no Sul e em partes do Sudeste, enquanto áreas do Norte e Nordeste devem enfrentar estiagem, temperaturas elevadas e maior risco de queimadas.
Chuvas acima da média
A previsão para a primavera indica que a chuva deve ficar acima da média em toda a Região Sul, em São Paulo, no Mato Grosso do Sul, parte de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
Em alguns pontos, ainda segundo Celso, os acumulados podem chegar a quase o dobro da média histórica para o período.
Alguns municípios do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul podem acumular mais de 1.000 mm ao longo dos 90 dias da estação, quase o dobro da média histórica de 650 mm."
Com os volumes expressivos, há também o risco de cheias, erosões, deslizamentos e, entre outros transtornos. Além disso, a previsão indica vendavais e granizos.
Além disso, em parte do Sul, por conta do excesso de nuvens e da entrada de massas de ar frio, as temperaturas devem ficar próximas ou abaixo da média.
O cenário segue o mesmo em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, áreas em que o frio ainda deve aparecer durante dias de outubro e novembro. O calor deve ganhar mesmo força a partir de dezembro, mais próximo do verão.
Estiagem e risco de queimadas
Por outro lado, na Região Norte, no Nordeste e em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste, o cenário é completamente diferente.
A previsão indica que, durante a primavera, a chuva deve ficar abaixo da média em toda a Região Norte, em toda a Região Nordeste, no Mato Grosso, em Goiás, no Espírito Santo e no norte de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
De acordo com a Tempo OK, os estados do Pará e do Amazonas concentram o quadro mais crítico da estação.
Em Manaus, por exemplo, o acumulado de chuva durante a primavera pode não ultrapassar 100 mm. O número representa menos da metade do volume esperado para o período.
Com isso, a falta de chuva e de nebulosidade favorece as temperaturas acima da média, podendo ficar até 5°C acima da média para a estação entre o Pará e o Amazonas.
Normalmente, essas áreas já enfrentam períodos de estiagem durante a primavera. Porém, o cenário é agravado pelo El Niño. Com isso, há o risco da redução do nível dos rios e queimadas.
"Essas áreas já enfrentam períodos de estiagem e temperaturas elevadas nas últimas primaveras, e a influência do El Niño pode agravar esse cenário. A demora na regularização das chuvas na Amazônia reduz ainda mais o nível dos rios, prejudica o transporte de pessoas e cargas e aumenta o risco de queimadas, além de atrasar o plantio", explica Celso Oliveira, da Tempo OK.
Setor de energia
As previsões para a primavera também colocam em alerta o setor de energia. Ainda de acordo com o meteorologista Celso Oliveira, da Tempo OK, parte relevante dos reservatórios pode iniciar o próximo ano com níveis inferiores aos registrados em 2026.
Sendo assim, o cenário pode trazer impactos para a segurança energética em 2027.
A previsão indica que, com exceção da bacia do rio Grande, os volumes de chuva previstos podem não ser suficientes para promover uma recuperação significativa dos níveis dos reservatórios nas bacias que concentram os principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Por outro lado, o aumento das chuvas em parte das regiões Centro-Oeste e Sul tende a favorecer a geração hidrelétrica, especialmente em usinas como a Itaipu.