
A um dia da primavera, nova projeção para o El Niño indica que o fenômeno deve alcançar o período de maior intensidade ainda em 2026, entre o fim da estação e o começo do verão.
O relatório mais recente da NOAA (agência climática estadunidense) deste setembro aponta que o El Niño segue ganhando força até o fim do ano, com um período especialmente forte entre outubro e dezembro de 2026.Ainda, há 75% de chance do evento ser o mais forte registrado desde 1950, considerando o trimestre de fim de ano no Hemisfério Sul.
O pico do “Super El Niño” acompanha o aquecimento do Pacífico, onde, em agosto, anomalias da temperatura ultrapassaram os 3ºC, com possibilidade de chegar aos 4ºC, marca inédita dentro dos dados históricos.No começo do ano, o El Niño ainda era tratado como possibilidade, mas novos dados apontam que é um evento em ascensão. A mudança ocorreu gradualmente ao longo do ano, que iniciou com a La Niño. Em 11 de junho, a ocorrência foi confirmada, mas não se sabia a intensidade.Entenda mais: “Super El Niño" tem 90% de chance e ameaça Brasil com seca, calor e chuvas
El Niño atinge categoria "super" em todos os critérios; entenda
Por que as projeções mudam?
Mudanças de previsões não são um erro nem uma contradição. Isso por que elas são atualizadas conforme novas atualizações das condições do oceano, atmosfera, dentre outros fatores, são devidamente metrificadas e incorporadas aos modelos matemáticos.
Com isso, quanto mais distante é uma previsão, menos é a chance de ela descrever o que acontecerá de fato, ou, pelo menos, menos ela consegue apontar com precisão onde determinados fenômenos vão ocorrer.
O que acontece no Brasil?
A terceira edição do boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta quais serão os impactos no Brasil nos próximos três meses. Segundo o boletim, a Região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, deve receber volumes de chuva acima das médias históricas. Junto com o Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul tendem a registrar chuvas acima do esperado para a época do ano.
Já as regiões Norte e Nordeste tendem a ficar com chuvas abaixo da média, causando uma seca. Partes do Centro-Oeste e do Sudeste, especialmente Mato Grosso, Tocantins, Norte de Goiás , Minas Gerais e Espírito Santo, também têm maior probabilidade de chuva abaixo do normal.
As regiões mais centralizadas do Brasil devem enfrentar “um pouco de cada” padrão.
Eventos extremos vão acontecer?
O Inmet destaca que eventos de El Niño mais intensos não significam automaticamente impactos mais severos, mas aumentam a probabilidade de que ocorram, junto a outros fatores como vulnerabilidade de populações e das estruturas urbanas.
As projeções mostram que o El Niño deve se concretizar, com intensidade elevada. Isso significa que o Pacífico estará aquecido, fornecendo pelo menos um dos “ingredientes” necessários para temporais ou secas no território brasileiro.
Avisos meteorológicos, por sua vez, têm muito menos antecedência, o que permite que alertem onde determinado evento vai ocorrer.