
Astrônomos encontraram 84 objetos que não se encaixam nas classes conhecidas pela humanidade de fontes de raios X. Os achados aparecem em seis galáxias, entre elas Andrômeda e M101, conhecida como Galáxia do Catavento, chamando atenção pela presença de uma combinação incomum. Segundo os especialistas, os corpos celestes emitem raios X de energia muito baixa e, ao mesmo tempo, liberam grandes quantidades de radiação ultravioleta.
Nunca encontramos um grupo de objetos que se comporte assim. Mustafa Muhibullah, da Universidade do Alabama e autor principal

A descoberta partiu do arquivo do Observatório de Raios X Chandra, supertelescópio da National Aeronautics and Space Administration (NASA). A equipe de cientistas procurou fontes que surgiam nas imagens feitas nas faixas mais baixas de energia e desapareciam quando os registros eram observados em níveis mais altos. Por esse motivo, inclusive, o agrupamento recebeu o nome de “fontes hipersuaves de raios X”.

O estudo, publicado na última quarta-feira (9) na revista Nature Astronomy, é assinado por Mustafa Muhibullah e Jimmy Irwin, da Universidade do Alabama. Apesar do ânimo com as descobertas, os pesquisadores ainda não sabem o que exatamente produz o padrão dualístico.

A explicação considerada mais provável envolve os sistemas binários. Um buraco negro, uma estrela de nêutrons ou uma anã branca, por exemplo, estariam retirando matéria de uma estrela companheira. Dessa forma, o material se aquece antes de cair sobre o objeto compacto e passa a emitir radiação.
Por que os objetos ficaram escondidos?

O comportamento ajuda a explicar por que essas fontes demoraram tanto tempo para ganhar reconhecimento. Raios X de energia muito baixa são difíceis de detectar, enquanto a radiação ultravioleta extrema é facilmente absorvida pelo hidrogênio e pelo hélio existentes entre as estrelas.

Um dos problemas que a equipe de astrônomos enfrenta é o fato de que alguns dos sistemas podem conter anãs brancas em processo de acumulação de matéria. Nesse caso, os objetos seriam candidatos a estágios anteriores de supernovas do tipo Ia, que formam explosões estelares violentas. Os especialistas usam os estouros para medir distâncias cósmicas e estudar a expansão do Universo, mas ainda discutem quais sistemas dão origem a elas.
Seria realmente importante detectá-las antes que explodissem. Jimmy Irwin, coautor

As 84 fontes foram localizadas em M31, M101 e outras quatro galáxias elípticas. Os autores do estudo ainda planejam novas observações para determinar se todas pertencem ao mesmo tipo de sistema ou se o grupo reúne fenômenos diferentes.
