Alfredo Gaspar (União) é o autor de pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal, entre eles o que atinge Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Alfredo Gaspar (União) é o autor de pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal, entre eles o que atinge Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro , anunciou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL)  como candidato a vice-presidente em sua chapa para as eleições de 2026. Ex-promotor de Justiça e relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as fraudes no INSS, Gaspar foi escolhido no último dia das convenções partidárias para integrar a chapa do partido.

Ao anunciar o nome do vice, Flávio afirmou que buscava alguém alinhado às bandeiras da campanha, especialmente nas áreas de segurança pública e combate à corrupção. Segundo ele, Alfredo Gaspar reúne experiência jurídica, atuação política e perfil compatível com o projeto do PL para a disputa presidencial.

Em seu primeiro discurso como candidato a vice-presidente, Gaspar agradeceu a confiança, relembrou sua origem nordestina e disse que atuará com "lealdade, coragem e gratidão" ao lado de Flávio Bolsonaro. Também defendeu o endurecimento do combate ao crime organizado e à corrupção.

Quem é Alfredo Gaspar

Alfredo Gaspar de Mendonça Neto é advogado, formado em Direito pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), onde também concluiu pós-graduação em Direito Público. Antes de entrar na política, construiu uma carreira de mais de 20 anos no Ministério Público de Alagoas, atuando como promotor de Justiça e, posteriormente, como procurador-geral de Justiça do estado.

Em 2020, licenciou-se do Ministério Público para assumir a S ecretaria de Segurança Pública de Alagoas. Dois anos depois, foi eleito deputado federal pelo PL.

Na Câmara dos Deputados, ganhou projeção nacional ao atuar como relator da CPMI que investigou as fraudes nos descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O colegiado ouviu dezenas de testemunhas, analisou documentos e apresentou um relatório final com pedidos de indiciamento de centenas de investigados, tornando Gaspar um dos principais nomes da oposição durante as investigações.

Antes de ser escolhido para compor a chapa presidencial, ele havia lançado sua candidatura ao Senado por Alagoas.

PL confirma chapa sem alianças nacionais

A escolha de Alfredo Gaspar encerra as negociações do PL para formar a chapa presidencial. Nas últimas semanas, o partido buscou apoio de legendas do chamado Centrão, mas não conseguiu formalizar alianças nacionais.

PP, União Brasil, Republicanos e Podemos decidiram não integrar oficialmente uma coligação para a disputa presidencial. Apesar disso, lideranças dessas siglas manifestaram apoio político à candidatura de Flávio Bolsonaro, mesmo sem participação formal na chapa.

Com isso, o PL optou por disputar a eleição com uma chapa formada exclusivamente por filiados do partido.


Michelle Bolsonaro ficou fora do anúncio

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro  não participou do evento em que Alfredo Gaspar foi apresentado como candidato a vice-presidente.

Nas últimas semanas,  Michelle e Flávio Bolsonaro protagonizaram divergências públicas relacionadas aos rumos da campanha, embora ambos tenham afirmado posteriormente que as diferenças foram superadas.

Durante o anúncio, Flávio citou outras lideranças femininas que chegaram a ser cogitadas para a vice, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Daniella Marques, mas destacou que a definição por Alfredo Gaspar ocorreu após as negociações com outras legendas não avançarem.

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