
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, uma autorização excepcional para que Geovanna Kathleen Ferreira Lima, meia-irmã de Michelle Bolsonaro, possa visitar a residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, em Brasília.
O pedido foi apresentado porque a ex-primeira-dama deverá passar por exames médicos em razão de crises de enxaqueca e poderá permanecer internada por alguns dias. As informações foram divulgadas inicialmente pela Jovem Pan.
Segundo os advogados, durante a ausência de Michelle, Geovanna ficará responsável por auxiliar a filha do casal, Laura Bolsonaro, além de prestar assistência ao ex-presidente. A defesa pede que a autorização tenha validade apenas pelo período necessário para os procedimentos médicos.
O iG entrou em contato com o STF questionando se o pedido foi analisado, mas até a publicação desta reportagem não houve retorno.
Exames de Michelle e o que é a enxaqueca
Segundo a defesa de Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro precisará realizar exames em um hospital devido a crises de enxaqueca, condição que pode exigir sua permanência na unidade de saúde por alguns dias.
A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça, geralmente intensa e pulsátil, que costuma atingir um dos lados da cabeça. Além da dor, os pacientes podem apresentar náuseas, vômitos e sensibilidade à luz, aos sons e aos cheiros. Em alguns casos, a crise é precedida pela chamada "aura", com alterações visuais, formigamentos ou dificuldade temporária para falar.
As crises podem durar de algumas horas até três dias e, quando são intensas ou persistentes, principalmente acompanhadas de febre, perda de força e confusão mental, podem exigir avaliação médica e exames para investigar a causa dos sintomas e definir o tratamento mais adequado.
Defesa cita necessidade temporária
Na petição enviada ao STF, os advogados afirmam que a solicitação tem caráter excepcional e busca garantir o suporte familiar enquanto Michelle Bolsonaro realiza os exames médicos.
De acordo com a defesa, a autorização seria limitada ao período em que a ex-primeira-dama estiver impossibilitada de permanecer na residência, sem alterar as demais condições impostas à prisão domiciliar do ex-presidente.
Visitas foram suspensas por decisão de Moraes
A solicitação ocorre dias após Moraes endurecer as regras da prisão domiciliar de Bolsonaro. O ministro determinou a suspensão de visitas por 30 dias, permitindo apenas a entrada de advogados, médicos e fisioterapeutas previamente autorizados pela Justiça.
A decisão foi tomada após o magistrado concluir que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares ao elaborar uma carta com conteúdo político-eleitoral, posteriormente lida e divulgada nas redes sociais pelo filho dele e um dos candidatos à presidência nas eleições de 2026, Flávio Bolsonaro (PL).

Além dessa restrição, Moraes manteve a suspensão, por 90 dias, das visitas de Flávio ao pai e proibiu o ex-presidente de receber visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026. Também ficou vedada a divulgação de manifestações de natureza política ou eleitoral, inclusive por intermédio de terceiros.
Na decisão, o ministro advertiu que o descumprimento das condições impostas poderá levar à revogação da prisão domiciliar e ao retorno de Bolsonaro ao regime fechado.
Prisão domiciliar
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 27 de março de 2026, quando Alexandre de Moraes autorizou a mudança do regime por motivos de saúde. A medida foi inicialmente concedida por 90 dias e, posteriormente, mantida por prazo indeterminado, com uma série de medidas cautelares.
Entre as restrições impostas estão o uso de tornozeleira eletrônica, limitações para receber visitas e a proibição de realizar manifestações de caráter político ou eleitoral, inclusive por intermédio de terceiros.
Bolsonaro foi condenado pelo STF a 22 anos de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.