Obra pretende eternizar memória das vítimas no mesmo local onde ocorreu a tragédia, há 13 anos atrás
Foto: Flávio José da Silva (AVTSM)/Arquivo Pessoal
Obra pretende eternizar memória das vítimas no mesmo local onde ocorreu a tragédia, há 13 anos atrás

A obra de construção do Memorial da Boate Kiss foi iniciada em julho de 2023 e tinha previsão de entrega para junho deste ano. Contudo, segundo presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio José da Silva, uma demolição necessária atrasou a entrega para 29 de setembro.

O objetivo da construção é eternizar as memórias das vítimas da tragédia da Boate Kiss, quando 242 pessoas morreram e outras 600 ficaram feridas em Santa Maria (RS).

A prorrogação para setembro se deu por conta de uma demolição de um muro de cerca de 20 metros que já estava construído. A estrutura impedia a realização de um túnel para corredor enclausurado, necessário para garantir condições adequadas de segurança de proteção contra incêndio.

Ao iG, Flávio disse acreditar que o novo prazo pode não ser suficiente, sobretudo tendo em vista o cenário recente das chuvas que assolam o Rio Grande do Sul, o que vem atrasando a obra mais ainda.

A demolição foi concluída nesta quinta-feira (30) e a obra está sendo retomada conforme o projeto do memorial a partir de hoje.

A derrubada do muro de concreto era delicada, pois poderia danificar demais estruturas da construção. Apesar da boa notícia, o presidente adverte que podem acontecer novas prorrogações.

Mas isso não quer dizer que que a impossibilidade de uma nova prorrogação de data (...) eu espero que não, mas provavelmente vai ter que haver uma prorrogação para conclusão dessa obra relacionada à questão da instabilidade do tempo que é prevista daqui por diante, né?  Flávio José da Silva, presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM)


Segundo o presidente, havia um desnível de cerca de 80 centímetros para onde ficaria a estrutura, o que motivou a demolição. Contudo, o principal impasse veio com a falta de verba para realizar a derrubada.

A obra ficou paralisada de fevereiro a dezembro de 2025 por causa disso. O montante principal, de R$ 4 milhões, foi repassado pelo Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

Contudo, era necessário mais aproximadamente R$1.1 milhões para resolver a incompatibilidade do muro, o que não poderia ser retirado dos recursos iniciais, já alocados para outras etapas da obra.

Segundo Flávio, a própria lei e o  Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) não permitiriam tal movimentação.

A gente voltou a estaca zero, ficamos de mãos atadas  Flávio José da Silva, presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM)


Ele conta que a associação tentou recursos com instituições privadas, mas não conseguiu.

Somente em dezembro, a prefeitura de Santa Maria (RS) conseguiu aprovar um aditivo a partir de uso de valores de juros e correções daqueles R$4 milhões iniciais, pois eles estavam aplicados no fundo e renderam.


Enchentes de 2024 causaram primeira paralisação

O presidente relembra que a primeira paralisação aconteceu em 2024 devido às enchentes que causaram a maior tragédia climática do Rio Grande do Sul. Ele explica que a obra ficou parada pela dificuldade de compra de material, além da ausência de matéria-prima para as empresas e indústrias diante daquele cenário.

Após as primeiras prorrogações, a obra ainda teve mais uma paralisação em abril deste ano. Relembre a cronologia da construção do memorial:

  • Julho de 2024:  início da construção do Memorial
  • Fevereiro de 2025: Obras são paralisadas até liberação de aditivo de valor para demolição
  • Dezembro de 2025: Ordem de reinício da obra foi assinada

Após a conclusão imobiliária da obra, será preciso levantar recursos para realizar outras etapas do projeto, como a instalação do sistema de memória das vítimas, objetivo principal do memorial, de acordo com Flávio.

O projeto arquitetônico do Memorial da Boate Kiss foi vencedor do concurso nacional de arquitetura lançado em 2018, coordenado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS), com apoio da Prefeitura de Santa Maria e do UNOPS (Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos).

O projeto vencedor foi do arquiteto Felipe Zene Motta. O conceito arquitetônico prevê:

  • jardim circular;
  • 242 pilares de madeira, um para cada vítima;
  • auditório;
  • espaço expositivo;
  • salas multiuso;
  • áreas destinadas à educação e preservação da memória.
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