Nível do Guaíba atinge cota de atenção, com 2,27m, nesta quinta (30) em Porto Alegre
Foto: Luciano Lanes/PMPA
Nível do Guaíba atinge cota de atenção, com 2,27m, nesta quinta (30) em Porto Alegre

O Rio Grande do Sul tem mais de mil pessoas fora de casa pela segunda vez em julho. A “marca” foi batida ainda nesta quarta-feira (29), e levantamentos da Defesa Civil e da Secretaria de Desenvolvimento Social totalizam 1.134 pessoas fora de casa, entre 355 desalojados e 779 desabrigados.

Conforme último boletim do órgão de defesa, 136 cidades reportaram danos causados pelas chuvas, ventanias, temporais e elevação dos rios desde esta segunda (27). Sete pessoas ficaram feridas.

Somente em Osório (RS), 350 residências tiveram danos. Em Ubiretama (RS), 80% das casas foram danificadas por granizo. Santo Antônio das Missões (RS) teve 400 casas com danos. Em Giruá (RS), Capão do Cipó (RS) e Senador Salgado Filho (RS), casas foram completamente destruídas pela passagem de um tornado.

Na última semana, 207 cidades também reportaram danos por conta de temporais, enquanto o número de desabrigados passou de 2 mil. Apesar o curto intervalo de tempo entre os dois eventos, as contagens reiniciaram. Temporais e chuvas de alto volume assolam o estado gaúcho pelo menos desde o dia 20 de julho.

Com isso, rios e arroios mantêm níveis elevados, e o risco de inundações e transbordamentos segue alto, mesmo com a menor precipitação.


Guaíba pode transbordar mas evento extremo é improvável

O nível do Guaíba deve passar da cota de inundação (3 metros) em todos os cenários, ainda que por pouco, em Porto Alegre. A informação é do relatório hidrológico do Serviço Brasileiro de Geografia (SGB) em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH-UFRGS).

Variação do nível do guaíba
Foto: Reprodução/SGB/IPH-UFRGS
Variação do nível do guaíba


Até sexta-feira (1º), o lago deve chegar ao nível de alerta. As inundações e transtornos, porém, devem se concentrar na região das ilhas, no Bairro Arquipélago, também pela segunda vez no mês.

Regiões no extremo Sul da cidade também podem alagar. Ambas entidades ressaltam que um evento extremo, semelhante ao observado em maio de 2024, é considerado improvável.

O sistema hidrológico do estado já se encontra saturado e, segundo meteorologistas, a chuva que caiu nas cabeceiras dos rios foi maior do que modelos globais previam.

De acordo com a MetSul Meteorologia, dentre os cinco rios contribuintes para a elevação do Guaíba (Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí), pelo menos quatro seguem em elevação ou sequer baixaram para cotas abaixo do alerta nos últimos dias – e devem retomar a subida com o novo episódio de chuvas previsto para o fim de semana.

Previsão do tempo

Segundo comunicado da Defesa Civil Estadual no início da semana, dois episódios de chuva eram esperados para o Rio Grande do Sul. O primeiro se confirmou e causou os danos reportados ao longo da semana.

O segundo previa a retomada das precipitações na sexta (31), mas previsões recentes indicam que a chuva chega somente no sábado (1º). As precipitações devem durar até segunda (03). Acumulados podem atingir  150mm em 24h entre as regiões Centro, Oeste, Vales, Campanha, Costa Doce e Sul.

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