Primas Emilly (de óculos) e Rebecca
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Primas Emilly (de óculos) e Rebecca

A morte das primas Rebecca Beatriz dos Santos e Emily Victória dos Santos , de 7 e 4 anos, atingidas por tiros na noite de 5 de dezembro, enquanto brincavam na frente de casa, em uma comunidade de Duque de Caxias (RJ) , segue sem culpados e ganhou capítulos ainda mais absurdos, com contornos racistas.

O pai da menina Rebecca, Maycon Douglas Santos, revelou que ao chegar à UPA para onde as duas foram encaminhadas e receber a notícia de que as garotas já tinham chegado mortas à unidade nem teve chance de chorar, já que, segundo ele, um homem de farda passou a questioná-lo como se fosse suspeito só por causa da cor da sua pele.

"Ele perguntou: 'Você é o pai?'. Depois, perguntou se eu tinha passagem (antecedentes criminais). Falei que não, nunca tive. Sempre trabalhei. Eles (policiais militares) não podem me ver que já me dão uma enquadrada. Já sofri tanto com o racismo que me acostumei. Não me pouparam nem depois da morte da minha filha", contou.

Testemunhas das mortes contestam a versão da Polícia Militar, que apontou por meio de nota que os cinco homens do 15º BPM (Duque de Caxias) em patrulhamento no local "não fizeram disparos". 

Um vídeo feito por familiares, que consta com imagens registradas pelo pai de Rebecca, mostraria onde estavam as crianças e de onde partiram os disparos atribuídos aos policiais militares por moradores e parentes ouvidos pela Polícia Civil, que, após análise, confirmou que o projétil fragmentado encontrado no corpo de Rebecca era de fuzil.

A bala foi encaminhada a peritos para verificar se partiu de um dos cinco fuzis apreendidos com os policiais militares. O laudo aponta que Rebecca foi atingida na região torácica. Ela teve o coração e o fígado atingidos e morreu devido à "transfixação" dos órgãos. O projétil em análise estava alojado no fígado da menina. Já Emily foi atingida na cabeça e morreu em decorrência de "ferida transfixante do encéfalo".

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