Líderes do G8 pressionam Rússia sobre conflito na Síria

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Autoridades tentam elaborar um comunicado conjunto que seja aceitável tanto para Putin, principal aliado de Assad, quanto para países que querem transição de poder em Damasco

Autoridades que participam da reunião do G8 na Irlanda do Norte fazem um esforço conjunto nesta terça-feira (18) para elaborar um comunicado sobre a guerra civil na Síria que seja aceitável tanto para a Rússia - o principal aliado internacional do presidente Bashar al-Assad - quanto para países que querem uma transição de poder rápida em Damasco.

As tensões sobre como lidar com a crescente crise humanitária na Síria dominaram a reunião de dois dias entre as oito potências industriais, que termina nesta terça. O anfitrião do encontro, o premiê britânico David Cameron, indicou que esperava que a reunião rendesse uma declaração conjunta, como uma base para negociações com previsão de ocorrer em Genebra, sob os auspícios dos EUA e da Rússia.

Após reunião no G8: Presidente da Rússia diz que discorda de Obama sobre Síria

AP
Líderes do G8 deixam pódio após tirar foto em grupo na Irlanda do Norte

Chancelaria: Rússia diz que não vai permitir zona de exclusão aérea na Síria

Autoridades do Reino Unido esperam que Assad possa ser persuadido a enviar um representante para essas discussões, abrindo caminho para sua saída do poder. Mas o Ocidente retrocedeu com a expectativa de que a conferência de paz em Genebra acontecesse em julho, porque a data pode ser muito prematura para o presidente russo, Vladimir Putin, segundo informou um diplomata ocidental em condição de anonimato ao jornal americano New York Times.

Putin apoiou Assad diplomaticamente e com armas durante a guerra civil que, segundo a ONU, deixou mais de 93 mil mortos. Enquanto as discussões sobre a reunião continuavam, havia uma probabilidade crescente de que a Rússia assinasse um comunicado com os outros sete países com a condição de que fosse usado um tom mais suave em relação à transição política no país.

Comunicado: EUA confirmam uso de armas químicas por forças de Assad na Síria

Após armas químicas: Obama aprova envio de ajuda militar a rebeldes sírios

Na noite de segunda-feira, líderes se reuniram para pressionar a Rússia para superar suas diferenças com as outras nações do G8 e concordar com uma série de princípios que regem a transição de poder na Síria. Antes do jantar, o presidente dos EUA, Barack Obama, se encontrou com Putin para tentar persuadi-lo a negociar com Assad a transição de governo no país.

Após o encontro reservado com Putin, Obama reconheceu que os dois líderes têm "perspectiva diferente" sobre a Síria, mas afirmou que os dois querem abordar os duros combates e manter em segurança os arsenais de armas químicas no país. "Realmente temos perspectivas diferentes sobre o problema, mas compartilhamos um interesse em reduzir a violência, manter a segurança das armas químicas para que não sejam usadas nem sujeitas à proliferação", disse Obama. "Queremos solucionar a questão por meios políticos, se possível."

ONU: Número de mortos em conflito na Síria chega a 93 mil

Putin disse "que claramente nossas opiniões não coincidem, mas todos temos a intenção de parar a violência na Síria e o crescimento do número de vítimas e de solucionar a situação pacificamente, incluindo trazer as partes para a mesa de negociações em Genebra. Concordamos em pressionar as partes à mesa de negociações."

Obama anunciou na sexta que os EUA começariam a enviar armas, enquanto o Reino Unido e a França continuaram preocupados que o poder de fogo poderia acabar ajudando extremistas antidemocráticos vinculados ao Irã e ao grupo xiita libanês Hezbollah.

NYT: Rússia envia mísseis avançados em apoio a Assad na Síria

Dia 27: União Europeia levanta embargo de armas contra rebeldes sírios

O líder americano disse que os EUA e a Rússia trabalhariam para possibilitar negociações em Genebra com o objetivo de pôr fim à sangrenta guerra civil no país. Porém, nesta terça-feira, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que a oposição síria não pode ser autorizada a estabelecer condições para participar de uma conferência de paz.

Lavrov sinalizou também que, apesar da pressão exercida sobre Putin durante a reunião do G8, não houve mudança na visão de Moscou de que a saída do líder sírio não pode ser uma pré-condição para as negociações de paz. Ele disse que os dois lados envolvidos na guerra civil da Síria devem "abster-se de condições prévias", numa referência a um comunicado da oposição síria afirmando que só participaria da conferência de paz se for fixado um prazo para Assad deixar o poder.

Governo sírio: Alegações dos EUA sobre uso de armas químicas são 'mentiras'

AP
Presidentes dos EUA,Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, reúnem-se em Enniskillen, Irlanda do Norte, para discutir Síria paralelamente ao G8

"Nós categoricamente nos opomos... às afirmações de que a conferência deve tornar-se uma espécie de ato público de capitulação da delegação do governo, com a subsequente transferência de poder na Síria para a oposição", disse em declarações publicadas no site do Ministério das Relações Exteriores russo.

A Rússia e os EUA estão trabalhando em conjunto para organizar uma conferência de paz. Sugerindo que a Rússia tinha feito a sua parte ao obter o compromisso de Assad com as negociações, Lavrov disse que o governo da Síria concordou em participar da conferência e formou uma equipe de negociação a ser liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Walid al-Moualem.

"Com a oposição é mais difícil", disse, acrescentando que a cobrança da oposição síria pela derrubada do governo está fora de sintonia com os esforços para se chegar a um consenso sobre um caminho para a paz.

COm NYT e Reuters

Leia tudo sobre: g8euarússiaassadsíriaprimavera árabemundo árabe

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas