Obama autoriza envio de ajuda militar a rebeldes sírios, dizem autoridades

Por AP | - Atualizada às

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Decisão foi tomada depois que a Casa Branca confirmou que o regime de Bashar al-Assad fez uso de armas químicas durante a guerra civil no país

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O presidente dos EUA, Barack Obama, autorizou enviar armas aos rebeldes sírios pela primeira vez, disseram autoridades americanas, marcando um aprofundamento do envolvimento do país nos mais de dois anos de guerra civil síria. Mas as autoridades dos EUA ainda discutem a quantidade e o tipo de armamento que será enviado às forças da oposição para garantir que as armas fiquem fora das armas dos extremistas que batalham pelo controle da Síria.

Autoridades dos EUA confirmaram a autorização de Obama na quinta-feira depois que a Casa Branca anunciou que possuía evidências conclusivas de que o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, usou armas químicas contra as forças da oposição. Obama havia dito que uso de armas químicas atravessaria uma "linha vermelha", sugerindo maior intervenção americana.

Comunicado: EUA confirmam uso de armas químicas por forças de Assad na Síria

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Imagem fornecida pela rede de notícias Edlib mostra sírio dentro de sua casa destruída após ataque aéreo do regime de Assad em Idlib

Abril: EUA suspeitam de uso de armas químicas por Síria

Enquanto uma pequena porcentagem dos 93 mil mortos no conflito terem supostamente morrido por causa das armas químicas - a inteligência americana calcula que tenha sido por volta de 150 mortos dessa forma  - a Casa Branca vê o uso desses tipos de agentes mortais como um desrespeito às normas internacionais. Ben Rhodes, vice-conselheiro de segurança nacional de Obama, disse que os múltiplos ataques com armas químicas deram um caráter de maior urgência à situação.

"Basta isso para dizer que será diferente em termos do escopo e da escala do que estamos fornecendo", disse Rhodes sobre uma resposta mais intensa dos EUA. Mas ele acrescentou que os EUA fariam determinações específicas "em nosso próprio cronograma".

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O governo Obama poderia fornecer aos rebeldes uma variedade de armas, incluindo armas pequenas, rifles de assalto, granadas propelidas por foguetes e outros mísseis anti-tanques. As forças da oposição poderiam operar a maioria desses equipamentos sem um treinamento significativo.

A oposição de Obama em enviar tropas americanas para a Síria torna menos provável que os EUA enviem armas sofisticadas ou armamentos anti-aéreos que requereriam um treinamento em larga escala. Autoridades do governo também se preocupam que armas muito poderosas acabem nas mãos de terroristas. Combatentes do Hezbollah, grupo militante libanês, estão entre os reforços das Forças Armadas de Assad, e extremistas vinculados à Al-Qaeda apoiam os rebeldes.

A CIA e treinadores de operações especiais já estão preparando alguns programas de treinamento para algumas armas para os rebeldes e é esperado que eles sejam encarregados de ensinar a oposição em como usar as armas que os EUA venham a fornecer, informou uma autoridade dos EUA à agência Associated Press (AP).

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Há também diversos debates dentro do governo sobre quem proveria a ajuda letal e como ela seria entregue, disseram outros oficiais.

Obama resistiu em armar os rebeldes até agora, uma abordagem cautelosa que destaca as profundas divisões dentro de seu governo. Os proponentes de uma ação mais agressiva, incluindo o secretário de Estado, John Kerry, aparentemente ganharam mais espaço do que aqueles que tinham uma posição mais ponderada sobre o envio de armas e munição para a zona de guerra.

Os EUA não fizeram nenhuma decisão em lançar uma zona de exclusão aérea sobre a Síria, disse Rhodes.

Os EUA até o momento forneceram apenas aos rebeldes sírios rações e suprimentos médicos. O governo também concordou a princípio em enviar coletes à prova de balas e outros equipamentos, como óculos de visão noturna aos rebeldes, embora o Pentágono disse que não houve nenhum movimento em relação a isso ainda.

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Os pronunciamentos sobre um aumento da escalada da intervenção americana segue novas descobertas da inteligência mostrando que Assad usou armas químicas, incluindo sarin, em pequena escala diversas vezes no ano passado, deixando entre 100 a 150 mortos, segundo estimativas.

Conselheiros de Obama acreditam que o regime de Assad ainda mantém o controle dos estoques de armas químicas e não encontraram nenhuma evidência de que forças rebeldes tenham lançado ataques usando esses agentes mortais.

O governo anunciou em abril que possuía "graus variáveis de confiança" de que o gás sarin era usado na Síria. Mas as autoridades afirmaram na ocasião que não tinham sido capazes de determinar quem era o responsável pelo uso da arma química.

As descobertas mais conclusivas anunciadas na quinta-feira foram possíveis pelas evidências enviadas aos EUA pela França, que, junto ao Reino Unido, havia confirmado que o governo Assad era o responsável por disparar o gás contra a oposição.

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Em Bruxelas, o secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, disse na sexta-feira que "a comunidade internacional deixou claro que qualquer uso de armas químicas era completamente inaceitável em qualquer aspecto da lei internacional".

Ele disse que recebia bem o "comunicado claro dos EUA" e exigiu da Síria "maior acesso às Nações Unidas para investigar todos os registros de uso de armas químicas".

Obama afirmou repetidamente que o uso de armas químicas cruzaria uma "linha vermelha" e constituiria uma "mudança no jogo" para a política americana na Síria, que até agora se concentrou inteiramente em fornecer à oposição assistência humanitária e não letal.

A Casa Branca informou ter notificado o Congresso, as Nações Unidas, e aliados internacionais importantes sobre a nova determinação feita pelos EUA sobre as armas químicas. Obama discutirá as avaliações, junto a outros problemas da Síria, durante a reunião dois oito nações líderes da indústria na próxima semana na Irlanda do Norte.

Reuters
Combatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab em Aleppo (12/06)

Entre os participantes dessa reunião estará o presidente russo, Vladimir Putin, um dos apoiadores mais poderosos de Assad. Obama e Putin farão uma reunião separada durante a reunião, e é esperado que o líder americano pressione Putin a desistir de seu apoio político e militar ao governo sírio.

O conselheiro para assuntos internacionais de Putin, Yuri Ushakov, disse na sexta que Moscou tinha dúvidas e comparou o comunicado dos EUA sobre o uso de armas químicas pelo regime de Assad ao discurso de Colin Powell no Conselho de Segurança da ONU detalhando as evidências sobre as supostas capacidades do Iraque de obter armas de destruição em massa.

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"Não gostaria de fazer paralelos com o famoso dossiê do (ex) secretário de Estado Colin Powell, mas os fatos, a informação apresentada pelos EUA não me parece convincente", disse Ushakov.

Os rebeldes sírios há anos pedem intervenção maior do ocidente, particularmente por causa dos estimados 5 mil combatentes do Hezbollah que foreceriam apoio às forças do regime. O impressionante sucesso militar de Assad na semana passada em Qusair, perto da fronteira libanesa, e as preparações para ofensivas contra Homs e Aleppo fazem da questão um tema mais urgente.

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