Israel lança ataque aéreo contra carregamento de armas na Síria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Autoridades israelenses creem que mísseis avançados do Irã eram destinados ao Hezbollah; esse foi o 2º ataque do ano de Israel para impedir entrega de armas a grupo militante libanês

Israel lançou um ataque aéreo na Síria tendo como alvo um carregamento de mísseis avançados que provavelmente era destinado ao grupo militante libanês Hezbollah, confirmaram neste sábado autoridades israelenses. Segundo fontes americanas citadas pelo jornal New York Times, os mísseis eram de fabricação iraniana.

Nahum Sirotsky: Conflito sírio aumenta tensão de Israel com o libanês Hezbollah

Êxodo: Sunitas fogem de área costeira da Síria após relatos de dois massacres

AP
'Se os EUA não sabem quem usou armas químicas, pode ser que sejam discos voadores de outro planeta', diz cartaz de manifestante durante protesto em Sarmada (03/05)

Janeiro: Ataque aéreo de Israel atinge comboio de caminhões na Síria

Saiba mais: Vejo o especial do iG sobre a Primavera Árabe

Esse foi o segundo ataque israelense deste ano contra a Síria e é a mais recente medida em seu esforço de longa data de impedir que o Hezbollah construa um arsenal capaz de defender-se da força aérea de Israel e de espalhar a destruição dentro do Estado judeu.

O bombardeio foi lançado enquanto os EUA consideram como responder a indicações de que o regime sírio pode ter usado armas químicas em sua sangrenta guerra civil. O presidente dos EUA, Barack Obama, descreveu o uso de tal armamento como uma "linha vermelha", e seu governo estuda quais são suas opções - incluindo uma possível ação militar.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, repetidamente alertou que Israel estaria preparado para lançar uma ação militar se armas químicas ou outros tipos de armamentos que pudessem alterar o equilíbrio de poder com o Hezbollah chegassem às mãos do grupo militante islâmico.

Dia 25: EUA suspeitam de uso de armas químicas por Síria

Alerta: Israel ameaça atacar se Síria perder controle de armas químicas

As autoridades isralenses disseram que o ataque ocorreu na madrugada de sexta-feira e tinha como objetivo armas sofisticadas, mas não armamento químico. De acordo com uma autoridade americana, o carregamento era de avançados mísseis de longo alcance terra-terra conhecidos como Fateh-110, que haviam sido enviados à Síria pelo Irã e estavam guardados em um aeroporto em Damasco quando foram atingidos no ataque. Autoridades israelenses, porém, não informaram onde o ataque foi lançado, ou se a Força Aérea realizou a ação do espaço aéreo libanês ou sírio.

O ministro assistente de Informação da Síria, Khalaf Muftah, disse à TV Manar, do Hezbollah, que "não tinha nenhuma informação sobre uma agressão", afirmando que relatos de um ataque aéreo israelense "surgem no âmbito da guerra psicológica em preparação para uma intervenção contra a Síria". O Hezbollah rejeitou fazer comentários.

Vídeo: Jornalista britânico relata suposto ataque com armas químicas na Síria

Israel tem observado com cuidado a guerra civil síria, que em várias ocasiões repercutiu em suas fronteiras, assim como de outros países vizinhos, incluindo Turquia, Líbano e Iraque. O Estado judeu está particularmente preocupado que os estoques de armas químicas do regime sejam transferidos para o Hezbollah ou caiam nas mãos de extremistas islâmicos que lutam do lado dos rebeldes.

Preocupações sobre as armas químicas sírias aumentaram em semanas recentes, em meio a crescentes indicações de que o regime de Assad pode tê-las utilizado contra os rebeldes que tentam depor o governo.

Sarin: Israel acusa governo Assad de usar armas químicas contra rebeldes sírios

Escalada: EUA consideram armar rebeldes sírios, diz secretário da Defesa

Os EUA disseram que informações de inteligência indicam que o governo sírio provavelmente usou o mortífero gás neurológico sarin em ao menos duas ocasiões, ecoando análises prévias do Reino Unido, França e Israel. Obama caracterizou o uso de tais armas como uma "mudança de jogo" que traria "enormes consequências", mas disse que precisa de provas mais definitivas antes de tomar uma decisão de como responder - e se adotará ação militar.

Coletiva: Obama sinaliza que não terá pressa para agir sobre armas químicas na Síria

AP
Presidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco neste sábado

Nahum Sirotsky: EUA ficam em encruzilhada ao apontar uso de armas químicas por Síria

Parece haver pouco impulso no momento para uma intervenção direta, e Obama disse na sexta que não antevê um cenário em que os EUA enviarão soldados à Síria. Em vez disso, o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, disse na quinta que Washington repensa sua oposição a armar os rebeldes sírios. Até agora os EUA descartaram armar os rebeldes, temendo que elas acabem nas mãos de grupos vinculados à Al-Qaeda ou outros extremistas que lutam com os rebeldes.

O ataque de sexta e outro lançado em janeiro se seguem a décadas de inimizade entre Israel e os aliados Síria e Hezbollah, que consideram o Estado judeu como seu inimigo mortal. A situação ficou ainda mais complicada com a guerra civil síria, que está consumindo o Exército de Assad e ameaça privar o Hezbollah de seu principal aliado, além de seu corredor terrestre para o Irã. Os dois países fornecem ao Hezbollah dinheiro e armas.

*Com AP e New York Times

Leia tudo sobre: síriaisraelassadhezbollahmundo árabeprimavera árabearmas químicas

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas