Obama diz que Síria cruzará 'linha vermelha' se usar armas químicas

Segundo presidente, uso de armas químicas mudaria ‘seus cálculos’ de maneira significativa, podendo levar a uma ofensiva militar contra o país em conflito

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente americano, Barack Obama, fez um alerta nesta segunda-feira ao afirmar que o deslocamento ou a utilização de armas químicas na Síria representarão uma "linha vermelha" para os Estados Unidos e terão "enormes consequências", em uma clara advertência ao governo de Bashar al-Assad.

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"Até aqui, eu não dei a ordem de intervir militarmente na Síria", ressaltou Obama durante uma entrevista coletiva à imprensa na Casa Branca, ao advertir que os Estados Unidos estão "monitorando a situação cuidadosamente, reunindo diversos planos de contingência".

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Obama falou sobre o regime de Assad na Casa Branca

"Pode haver enormes consequências se começarmos a observar a movimentação ou o uso de armas químicas (...). Isso mudaria meus cálculos significativamente", disse na coletiva de imprensa.

Respondendo a uma pergunta sobre o arsenal sírio, Obama disse: "Até este ponto não ordenei o envolvimento militar na situação, mas a questão das armas químicas e biológicas é fundamental".

"Não é apenas um tema que diz respeito à Síria, mas também aos nossos aliados mais próximos na região, incluindo Israel . (...) Não podemos ter uma situação em que armas químicas ou biológicas caiam nas mãos das pessoas erradas", afirmou.

O governo sírio de Bashar al-Assad indica ter acesso a armas químicas , enquanto Obama diz que o regime foi alertado de que qualquer utilização dessas armas será inaceitável.

"Comunicamos em termos firmes a todos os atores na região que essa é a linha vermelha para nós e que pode haver enormes consequências" declarou o presidente.

Pressionado pelos jornalistas, Obama lembrou que a situação na Síria é "muito instável", por isso não está "absolutamente seguro" que recorreria à força militar perante um movimento do arsenal químico sírio.

O presidente americano lamentou que o presidente sírio tenha "duplicado a violência" sobre seu povo, e admitiu que "neste ponto, a possibilidade de aterrissar rápido" em uma transição política para o país "parece bastante distante".

O governo de Obama manteve durante meses uma pressão diplomática e financeira para forçar a saída de Assad do poder, complementada com uma assistência não-militar à oposição estimada em US$ 25 milhões, e uma assistência humanitária à população que já chega a US$ 76 milhões.

Segundo relatório publicado em julho pelo Wall Street Journal, a Síria começou a mover para outros locais parte de seu arsenal de armas químicas, embora o Executivo americano afirme que, por enquanto, não viu nenhum sinal que confirme a hipótese.

Missão da ONU

Nesta segunda-feira, observadores militares da ONU deixaram Damasco, após quatro meses de missão na qual assistiram impotentes à escalada do conflito na Síria, ao invés de monitorarem um cessar-fogo entre as forças do governo de Bashar al-Assad e os rebeldes que tentam derrubá-lo.

Sete veículos da ONU foram vistos deixando um hotel de Damasco na manhã desta segunda-feira, levando alguns dos últimos membros de uma missão que chegou a ter 300 observadores espalhados pelo país.

Os monitores, desarmados, haviam suspendido suas operações em junho, depois de serem alvejados. "Nossa missão fracassou porque os dois lados não cumpriram seus compromissos", disse um observador fardado, pedindo anonimato, no hotel de Damasco.

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Observadores da ONU se abraçam antes de partir de Damasco

O mandato da missão de monitoramento, conhecida pela sigla Unsmis, expirou no domingo à noite, depois que diplomatas da ONU disseram não haver mais condições para mantê-la. Todos os últimos monitores devem deixar a Síria até sexta-feira.

Enviado

Também nesta segunda-feira, o novo enviado especial da ONU à Síria, Lakhdar Brahimi , foi criticado ao afirmar que "ainda não está em posição de dizer" se Assad deve ou não renunciar.

Brahimi, ex-ministro das Relações Exteriores da Argélia, substituiu na semana passada Kofi Annan , que renunciou ao cargo de enviado especial da ONU após ter seu plano de paz amplamente ignorado tanto pelo governo sírio quanto pelos rebeldes.

Ao anunciar sua renúncia, Annan disse que "está claro que o presidente Bashar al-Assad deve deixar o poder".

A principal coalizão de oposição síria, o Conselho Nacional Sírio, disse que a declaração de Brahimi demonstrava "desprezo pelo sangue do povo sírio e seu direito à auto-determinação" e exigiu descupas.

Brahimi disse que está "comprometido a encontrar uma solução". "Eu não me filiei a nenhum partido sírio. Eu sou um mediador e um mediador tem de falar com qualquer um e todos sem influências ou interesses", disse.

Desde que foi confirmado no cargo, Brahimi tem reconhecido que não tem ideias concretas sobre como acabar com o conflito que, segundo ele, já se transformou em uma guerra civil há algum tempo.

Segundo estimativas da ONU, mais de 18 mil pessoas foram mortas no conflito, iniciado em março de 2011. Outras 170 mil deixaram a Síria, e 2,5 milhões precisam de ajuda no país.

*Com AFP, EFE, BBC e Reuters

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