Presidência é destino', repete Aécio em pré-estreia de 'Tancredo

Lançamento de filme sobre Tancredo Neves teve Ronaldo, Fafá de Belé e lideranças tucanas. Mas não teve FHC

Nara Alves, iG São Paulo |

Eduardo Lopes
Ronaldo prestigiou a estreia com Aécio
Poucos minutos antes de entrar na sala de cinema para assistir pela primeira vez o filme "Tancredo, a Travessia" , o senador Aécio Neves (PSDB-MG) repetiu uma de suas frases preferidas para comentar a disputa presidencial. "Presidência é destino muito mais do que projeto", disse na noite desta segunda-feira. "O que vier para mim, estarei pronto", completou Aécio, inspirado nos ensinamentos de seu avô Tancredo Neves.

O filme, dirigido por Silvio Tendler, teve sua pré-estreia no Espaço Unibanco Pompéia, em São Paulo. A estreia nacional será no dia 28 de outubro.

Leia também: Com Collor, Forças Armadas mantiveram espionagem política até 91

Leia também: Verinha Montoro lembra bastidores da morte de Tancredo

Eduardo Lopes
Ao fundo à esquerda, Ronaldo manda ver na pipoca. À frente, os tucanos Alckmin, Aécio e Serra

No contexto da redemocratização, Tancredo Neves também se colocou na disputa presidencial – naquela época, ainda indireta – dizendo-se disposto a apoiar o deputado Ulysses Guimarães, então presidente da Câmara, caso ele quisesse ser candidato. A disputa interna no MDB, partido de oposição ao regime militar, é relatada por testemunhas oculares no longa-metragem, que ressalta a "grandeza" de Ulysses e Tancredo, que se uniram em prol da transição pacífica da ditadura para a democracia no Brasil.

Um dos principais protagonistas do filme é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), que não compareceu à pré-estréia. A festa em torno de Aécio contou com a presença de celebridades como o ex-craque Ronaldo Nazário, a cantora Fafá de Belém e o apresentador Tom Cavalcante, além de diversas lideranças tucanas. Assistiram à premier ao lado do senador o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, os ex-governadores José Serra (que também teve participação no longa) e Alberto Goldman.

No filme, Aécio se apropria dos feitos do avô ao relatar fatos na primeira pessoa do plural. O senador também comenta histórias ocorridas quando era um bebê, como a derrota de Tancredo para Magalhães Pinto em Minas Gerais, em 1960. Reforçando ainda mais a ideia de herdeiro político do avô, Aécio aparece em diversas cenas históricas atrás de Tancredo, quando era seu secretário pessoal, inclusive durante uma entrevista em que ele, já eleito presidente, lembra Napoleão e diz: "Política é destino".

Sarney

Como se sabe, Tancredo Neves nunca assumiu o cargo. Este papel na história da redemocratização brasileira coube a seu vice, hoje presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Também em depoimento ao jornalista Roberto D'Ávila, que conduz as entrevistas do filme, Sarney comenta que chegou a pensar que sua carreira política havia se encerrado em 1984, depois de renunciar à presidência do PDS para apoiar Tancredo. Neste momento, ouviu-se uma sonora gargalhada de Fafá de Belém e outros convidados na platéia.

"Sarney fez o que pôde. Mas o Brasil perdeu 10 anos", disse Aécio Neves. Sarney assumiu em 1985, ficou cinco anos na Presidência, foi sucedido pelo também senador Fernando Collor de Mello, que sofreu impeachment dois anos após assumir. No fim de 1992, assumiu o ex-governador mineiro Itamar Franco (morto em julho deste ano), que ficou mais dois anos no poder, elegendo seu sucessor, Fernando Henrique Cardoso.

    Leia tudo sobre: ronaldoTancredo Nevesfilmeaécio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG