Operação Acarajé: Polícia Federal realiza a 23ª fase da Lava Jato

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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A ação acontece em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador; entre os alvos está João Santana, marqueteiro do PT

Agentes da Polícia Federal fazem buscas na sede da Odebrecht, em São Paulo
Marcos Bezerra/Futura Press - 22.02.16
Agentes da Polícia Federal fazem buscas na sede da Odebrecht, em São Paulo

A Polícia Federal começou na manhã desta segunda-feira (22) a 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Acarajé – nome usado pelos investigados para denominar dinheiro por meio de propina, a exemplo da palavra "pixuleco", que denominou outra fase das investigações. A ação é realizada em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Cerca de 300 policiais participam do cumprimento de 51 mandados – 38 de busca e apreensão, 2 de prisão preventiva, 6 de prisão temporária e 5 de condução coercitiva.

Os mandados são cumpridos em Salvador, Camaçari, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Petrópolis, Mangaratiba, São Paulo, Campinas e Poá.

Entre os alvos da PF está o publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff e da campanha da reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo informações preliminares, ele estaria na República Dominicana. Sua prisão preventiva foi decretada. Na semana passada, o juiz federal Sergio Moro negou aos advogados do marqueteiro o acesso aos autos da investigação sobre remuneração recebida pela Odebrecht.

Lula se encontra com Dilma, Aloizio Mercandante, Franklin Martins, Edinho Silva, Giles Azevedo e João Santana (segundo à esq.)
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula - 5.3.14
Lula se encontra com Dilma, Aloizio Mercandante, Franklin Martins, Edinho Silva, Giles Azevedo e João Santana (segundo à esq.)

O objetivo das investigações desta fase é o cumprimento de medidas cautelares, a partir de representação da autoridade policial, relacionadas a três grupos: um grupo empresarial responsável por pagamento de vantagens ilícitas; um operador de propina no âmbito da Petrobras; e um grupo recebedor, cuja participação foi confirmada com o recebimento de valores já identificados no exterior que ultrapassam US$ 7 milhões.

Também foram alvo Zivi Skornicki, suspeito de ser lobista junto à Petrobras e preso nesta segunda-feira, e a Odebrecht. A PF ocupou a sede da empresa, em São Paulo, com o objetivo de recolher documentos. 

Em nota, a empresa Odebrecht informou que “está à disposição das autoridades para colaborar com a operação em andamento.”

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde permanecerão à disposição da 13ª Vara da Justiça Federal.

O que investiga a Justiça

A 23ª fase da Operação Lava Jato cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão determinados pela 13ª Vara de Curitiba, a pedido do Ministério Público Federal e da PF. O objetivo é investigar se houve corrupção, evasão e lavagem de recursos e o possível pagamento a João Santana de propinas vindas da Petrobras.

O desvio de recursos da Petrobras, segundo investigações, ocorreria por meio de pagamentos ocultos feitos no exterior pelo operador financeiro Zwi Skornicki e por offshores controladas pela Odebrecht para favorecer João Santana e Mônica Regina Cunha Moura, sua mulher.

No caso de Skornicki, as investigações apontam que ele seria um dos operadores financeiros que pagaram propina a funcionários do primeiro escalão da Petrobras e da Sete Brasil. Entre eles, Renato Duque, Pedro Barusco e Eduardo Musa, além do próprio PT. Comprovantes de transferências feitas no exterior a partir de sua conta para outras controladas comprovariam essas operações.

Agentes da PF chegam com malotes à sede da Polícia Federal em São Paulo
Leonardo Benassatto/Futura Press - 22.2.16
Agentes da PF chegam com malotes à sede da Polícia Federal em São Paulo

De acordo com depoimentos dados pelos ex-executivos, os pagamentos ocorreram em benefício de contratos bilionários feitos pela empresa Keppel Fels com a Petrobras e Sete Brasil. Entre setembro de 2013 e novembro de 2014, segundo a Justiça, há indícios de que Skornicki teria transferido no exterior pelo menos US$ 4,5 milhões por meio de nove transações, para conta mantida no exterior por Santana e Mônica. A conta do casal, em nome da offshore panamenha Shellbill Finance SA, não foi declarada no Brasil.

Ainda segundo a Justiça Federal do Paraná, que concentra as investigações da Lava Jato, há evidências de que a Odebrecht, por meio de contas ocultas no exterior em nome de duas offshores – Klienfeld e Innovation –, investigadas por pagarem propinas a Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada e Nestor Cerveró, transferiram para a offshore de Santana US$ 3 milhões. Há indícios de que esse valor seria, na verdade, propina vinda da Petrobras que foi transferida a João Santana para beneficiar o PT.

As investigações revelaram também novas provas do possível envolvimento de Marcelo Odebrecht, presidente da companhia, que tinha controle sobre pagamentos feitos no exterior por meio de offshores. Odebrecht administraria essas contas no exterior por meio de pessoas subordinadas a ele, como Hilberto Mascarenhas Alves Silva Filho e Luiz Eduardo Rocha Soares (que tiveram vínculo formal com a Odebrecht), em conjunto com Fernando Miggliaccio da Silva. As contas offshores – entre elas as da Klienfeld e da Constructora del Sur – teriam sido usadas, por ordem do presidente da empresa, para fazer pagamentos ocultos no exterior.

A conta da Klienfeld teria sido usada para pagar propina a autoridades brasileiras e argentinas. De acordo com a Justiça do Paraná, uma planilha gerada pela secretária de confiança de Marcelo Odebrecht mostraria como era feito o controle de pagamentos ilegais a João Santana (apontado como "Feira", um trocadilho com a cidade de Feira de Santana, na Bahia, terra natal do marqueteiro) e José Dirceu (citado como "JD"), envolvendo eleições no Brasil e no exterior, a partir da conta da Constructora Internacional del Sur S/A.

Lembre os políticos investigados na Operação Lava Jato:

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha está entre os que serão investigados na Lava Jato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos DeputadosAntes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaO ex-presidente e senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor, é acusado de ter recebido dinheiro de Yousseff. Foto: ReproduçãoSenador pelo PMDB do Maranhão e ex-ministro das Minas e Energia de Dilma, Edison Lobão é investigado em inquérito que envolve a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Foto: CÉLIO AZEVEDO/AGÊNCIA SENADO - 15.5.2007Senadora pelo PT do Paraná ex-ministra da Casa Civil de Dilma, Gleisi Hoffman foi citada em delação premiada da Lava Jato. Foto: FacebookAlvo de inqúerito, Antônio Anastasia é senador pelo PSDB de Minas Gerais,  ex-governador do Estado e foi coordenador de campanha de Aécio à Presidência. Foto: daniel de cerqueira - 7.11.2014Senador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: Agência BrasilLindberg Farias, senador pelo PT do RJ, é suspeito de ter pedido dinheiro a Paulo Roberto Costa. Foto: Futura PressEx-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB) é citada também no inquérito contra o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Foto: BETO BARATA/AGência ESTADO - 4.1.2011Deputado pelo PP da Paraíba, Aguinaldo Ribeiro fio ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: DivulgaçãoVilson Covatti foi deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul até janeiro de 2015. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo e ex-líder do governo Lula, Cândido Vaccarezza teria recebido R$ 400 mil em propina. Foto: Agência BrasilAlvo de inquérito, Humberto Costa é senador pelo PT de Pernambuco e foi ministro da Saúde durante o governo Lula. Foto: DivulgaçãoSenador pelo PMDB de Roraima, Romero Jucá foi líder dos governos FHC e Lula. Foto: Agência SenadoSenador pelo PMDB de Rondônia, Valdir Raupp foi governador de Rondônia e líder do partido. Foto: DivulgaçãoEx-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antônio Palocci terá suas condutas investigadas pela Polícia Federal no Paraná, para onde o STF mandou o inquérito. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto é alvo do processo que envolve 37 pessoas. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PP de Mato Grosso, Pedro Henry foi condenado no processo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PMDB do Ceará, Aníbal Gomes é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Divulgação/Governo Municipal de AcaraúDeputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, Simão Sessim ocupa o cargo desde a década de 1970. Foto: Agência CâmaraEx-deputado federal pelo PP de Pernambuco, teve seu mandato cassado na esteira do escândalo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo Solidariedade da Bahia, Luiz Argôlo chegou a ter sua cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP do Paraná, Nelson Meurer é presidente do partido no Estado. Foto: Agência CâmaraDeputado pelo PP do Acre, Gladson Cameli é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP de Goiás, Roberto Balestra é investigado no maior inquérito, que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Goiás, Sandes Júnior, é alvo do maior inquérito da Operação, com 37 investigados. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT do Mato Grosso, Vander Loubet é investigado em inquérito que inclui o deputado Cândido Vaccarezaa (PT-SP). Foto: DivulgaçãoSenador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputada federal pelo PP de São Paulo, Aline Corrêa consta da lista de 37 investigados de um dos inquéritos da Lava Jato. Foto: Agência CâmaraSenador pelo PP de Alagoas, Benedito de Lira iniciou sua carreira política no extinto Arena, que apoiava a ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo, José Mentor foi líder estudantil contrário à ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano é alvo de dois pedidos de instauração de inquérito. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Ceará, José Linhares Ponte foi padre e usa a experiência de sacerdócio nas campanhas eleitorais. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco até janeiro  de 2015, Roberto Teixeira é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Santa Catarina até janeiro de 2015, João Alberto Pizzolatti Junior é alvo do inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP da Bahia até janeiro de 2015, Mário Negromonte foi ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: WikimediaDeputado pelo PP do Maranhão, Waldir Maranhão é investigado no inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoVice-governador da Bahia, comandada por Rui Costa (PT), João Leão foi deputado federal pelo PP do Estado. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Rondônia até janeiro de 2015, Carlos Magno Ramos foi secretário da Casa Civil do ex-governador  e hoje senador Ivo Cassol (PP). Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP da Bahia, Roberto Britto é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Renato Molling é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Tocantins, Lázaro Botelho é investigado no inquerito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de São Paulo, José Olímpio se apresenta como missionário da Igreja Mundial do Poder de Deus. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Afonso Hamm é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP, Jerônimo Goergen foi vice-líder da bancada do PP na Câmara dos Deputados. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Paraná, Dilceu Sperafico é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Alagoas, Arthur Lira é filho de Benedito de Lira, também investigado na Lava Jato. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado pelo PP de Minas Gerais, Luiz Fernando Faria é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco, Eduardo da Fonte foi segundo vice-presidente da Câmara e líder do PP na Casa. Foto: Divulgação


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