Novo ministro do Turismo barra todos os convênios com ONGs

Em entrevista em vídeo ao iG, Gastão Vieira explica relação com família Sarney e defende políticas para brasileiro viajar mais

Adriano Ceolin e Danilo Fariello, iG Brasília |

Gastão Vieira assumiu o Ministério do Turismo em meio a um escândalo de corrupção na pasta e sob muita desconfiança. Deputado federal pelo PMDB no Maranhão, Gastão não descarta as relações com os caciques do partido, que indicaram seu antecessor e colega na Câmara pelo Estado Pedro Novais, entre eles o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Mas, para afastar qualquer risco de novas denúncias, Gastão quer fazer reformas drásticas no ministério.

O "Diário Oficial" de segunda-feira trouxe a suspensão de convênios da Pasta com Organizações Não-Governamentais (ONGs) em programas para capacitação de pessoas para a Copa do Mundo de 2014. Gastão diz com exclusividade ao iG que o ministério vai evitar agora qualquer convênio com ONGs - alvos das principais denúncias de desvios de recursos no ministério - para privilegiar acordos com fundações, universidades e entidades do sistema S. "Isso não diminui a flexibilidade do ministério no atendimento de seus programas."

Gastão diz também que pediu para a presidenta Dilma Rousseff  indicar o novo secretário-executivo da pasta. “Gostaria muito de ter um secretário-executivo eminentemente técnico”, diz. O antecessor, Frederico Costa da Silva, foi preso pela Polícia Federal na Operação Voucher.

O ministro relativizou a declaração de que o PMDB seria um  partido de traíras , atribuindo à expressão um caráter humorístico. "(Disse que) o PMDB era um partido que todo mundo mandava, poucos obedeciam e todos acabavam fazendo o que queriam”, afirmou. “Foi num contexto completamente diferente, de humor, satírico.”

Apesar de reconhecer que a Copa do Mundo em 2014 é uma prioridade para o governo Dilma, o ministro afirmou que é preciso criar políticas públicas de longo prazo para fomentar o turismo para além do evento.

Questionado sobre as relações entre governo de Fifa, entidade organizadora da Copa de 2014, o ministro diz que conquistas legais brasileiras, como o direito de estudantes à meia entrada, não podem ser colocadas como impedimento para o evento.

O ministro quer também aproveitar a conjuntura de dólar mais caro em relação ao real para atrair mais turistas ao Brasil e também para estimular os brasileiros a viajar mais pelo próprio País. Nessa linha, antecipa a elaboração de uma política para baratear viagens nacionais de avião e estadas em hotéis na baixa temporada para atender a nova classe média brasileira. "O que se quer é fazer disso uma política nacional", diz o novo ministro.

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