Líder do governo insiste no Código Florestal do Senado

“A posição do governo é o que saiu do Senado. Ponto”, diz Arlindo Chinaglia em entrevista em vídeo ao iG. Comente

Tales Faria e Adriano Ceolin, iG Brasília |

O novo líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirma que vai defender a proposta do Palácio do Planalto de não promover mudanças no texto do Código Florestal aprovado pelo Senado.

Em entrevista exclusiva ao iG , Chinaglia admitiu, no entanto, dificuldades para o governo sair vitorioso. Relator do código na Câmara, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) anunciou uma série de mudanças que contrariam a orientação do Planalto.

Apesar das adversidades, Chinaglia promete muita conversa para tentar reverter o quadro. “A posição do governo (Código Florestal) é o que saiu do Senado. Ponto”, diz. “Eu tenho de formar uma opinião sobre qual é a maioria. Preciso ter a minha própria avaliação”, completa.

Assista à entrevista:

A votação está prevista para esta terça-feira, mas o governo também avalia adiar a análise da proposta para depois da realização da Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento sustentável a ser realizada em junho no País.

Chinaglia afirma que governo “não faz escolha de confrontar o Congresso”. “Não faz sentido, é claro que não. Mas o governo também não quer ceder a tudo a cada momento o Congresso entenda eventualmente diferente que o governo pensa”, diz.

Não faz nem uma semana que Chinaglia assumiu o comando das articulações governistas na Câmara em meio a uma rebelião no PMDB e uma série de desentendimentos entre os partidos da base aliada. No Senado, o PR anunciou que “neste momento está na oposição”.

Paulista de Serra Azul, Chinaglia, 63 anos, enfrenta situação adversa pela segunda vez. Em 2005, assumiu a liderança do então governo Luiz Inácio Lula da Silva logo após o escândalo do mensalão. Teve êxito e, em 2007, foi eleito presidente da Câmara.

No começo de 2011, colocou-se como pré-candidato a presidente da Câmara. Sabendo que perderia a prévia dentro do PT, abriu mão para apoiar Marco Maia (PT-RS). A ação acabou derrotando o favorito Cândido Vaccarezza (PT-SP), seu antecessor na liderança do governo.

Ainda na entrevista ao iG, Chinaglia nega que a sua ascensão ao posto de líder é resultado da disputa interna do PT que se desenrola desde a eleição de Marco Maia. Nega também que foi planejado o jantar em que foi comemorada a sua nomeação.

“Sei que não é um cargo eterno. A rigor, a gente não sabe qual foi processo que resultou na minha escolha”, diz. Sobre as pressões que sofre um líder conclui: “Às vezes, o líder nem concorda com que seu liderado está fazendo. Mas, para se legitimar, o líder dá uma declaração, às vezes, bombástica.”

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG