Diplomada presidenta, Dilma exalta Lula e condição de mulher

'Conto com todos e todas. E que todos e todas contem comigo', afirmou a presidenta eleita

Andréia Sadi e Adriano Ceolin, iG Brasília | 17/12/2010 16:57

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A ex-ministra Dilma Rousseff (PT) foi diplomada presidente da República pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na tarde desta sexta-feira. Com um discurso de seis minutos e meio, ela exaltou a figura do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ressaltou a importância da chegada de uma mulher ao posto mais alto de comando do País.

"Nesse momento em que recebo o diploma mais alto da democracia quero reparti-lo com cada brasileira e, em especial, com cada brasileira. Para dizer que, pelo Brasil, que conto com todos e todas. E que todos e todas podem contar comigo", afirmou Dilma.

Foto: Agência Estado

Dilma retocou discurso até a última hora

Ao exaltar a importância de uma mulher ter chegado ao cargo mais alto do Executivo, Dilma destacou a  "grande emoção" em receber o diploma, considerando sua "trajetória política" e "situação como mulher brasileira". "Recebo esse diploma com alegria e humildade e enorme disposição de empenhar todo o meu esforço", disse Dilma.

"Esse julgamento (do eleitor) que já levou importantes estadistas e diferentes lidernanças ao posto mais alto da república experimentou nos últimos anos a esperança e a ousadia ao levar um trabalhador à Presidência da República".

Dilma lembrou o fato de suceder a um trabalhador: "Quanto orgulho temos os brasileiros e as brasileiras de ver um homem do povo conduzindo o País para um momento de tão extraordinária avanço social e econômico. Para além da minha pessoa, esse fato representa a crescente maturidade da nossa democracia. Esse fato rompe com os preconceitos, desafia os limites".

A presidenta eleita se comprometeu a defender a liberdade de imprensa e culto. "Defenderei sempre a liberdade de manifestação de imprensa e culto, mas reafirmo que nenhuma estratégia política ou econômica é efetiva se não se refletir na vida de cada trabalhador, de cada trabalhadora, de cada empresário, de cada família e de todas as regiões deste imenso e generoso País", disse.

Dilma reconhece que há muitas expectativas sobre o governo. "Sei da responsabilidade de suceder um governante da estatutura do presidente Lula. Sei dos imensos desafios que o nosso futuro comporta. Mas, se pensarmos o que cada um dia nós pode e podemos fazer pelo Brasil, vamos descobrir uma força infinita que a cada momento se alimenta e se renova. A força da união de nosso País", afirmou.

A presidenta eleita entrou no plenário do TSE com 20 minutos de atraso. Foi acompanhada pela ministra Carmen Lúcia, única mulher na atual composição tribunal. O vice-presidente eleito Michel Temer (PMDB) estava ao lado das duas. Ele também recebeu diploma. Após o discurso, Dilma foi aplaudida de pé pela plateia, cuja maioria era formada por atuais e futuros ministros.

Convidados

Pouca gente acompanhou o evento dentro do plenário do TSE. O marqueteiro da campanha de Dilma, João Santana, marcou presença. Entre os ministros, também compareceram Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Orlando Silva (Esportes), que corre o risco de perder o posto para Luciana Santos, deputada federal eleita pelo PC do B de Pernambuco.

Coordenadores do grupo de transição e futuros ministros, José Eduardo Cardozo (Justiça) e Antonio Palocci (Casa Civil) também prestigiaram a presidenta. Anunciado ministro da Previdência para o próximo governo, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) também resolveu acompanhar a solenidade no TSE. Na lista de convidados, estava também Levy Fidelix, presidente do nanico PRTB.

O presidente do PT e integrante do grupo de transição, José Eduardo Dutra (SE), foi outro que compareceu. A função dele no novo governo ainda não foi definida. Ele espera herdar a cadeira de Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) no Senado. Primeiro suplente, Dutra assumirá no Senado caso Valadares ganhe uma vaga de ministro na Esplanada. "Até dia 31 ela (Dilma) decide", disse Dutra, referindo-se aos ministros que faltam. Originalmente, o plano da presidenta eleita era ser diplomada já com todos os ministros definidos.

Para elaborar o discurso, Dilma contou com a ajuda de auxiliares, que programaram uma fala protocolar. A versão preliminar, entretanto, foi entregue à presidenta eleita, que fez retoques no texto até poucas horas antes do evento. O plano foi fazer um agradecimento mais solene e deixar o tom emocional para a cerimônia de posse, no próximo dia 1º. Mas a duração curta da fala surpreendeu, já que eram esperados pelo menos 15 minutos.

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