Alvo de denúncias, Alckmin diz que SP ‘não foi o único lugar que teve cartel’

Por Renan Truffi - iG São Paulo |

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Governador anunciou medidas contra a Siemens e aproveitou para criticar o processo de compra de trens do governo federal para duas capitais

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), convocou uma entrevista coletiva nesta terça-feira (13) para falar sobre as denúncias de cartel nas licitações do Metrô de São Paulo, mas fez questão de ressaltar que não é só no Estado que existe a prática de cartel por empresas nos contratos de licitação de obras. “Quero recomendar aos colegas governadores e ao governo federal, porque aqui não foi o único lugar que teve cartel, uma investigação rigorosa quanto a licitações na área de transporte e energia para que nenhum ente federativo seja lesado por conluio entre empresas”, afirmou.

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Ele aproveitou para criticar o processo de compra de trens do governo federal para as cidades de Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS).

Divulgação/Governo de São Paulo
Alckmin diz que vai processar Siemens por cartel em licitações de obras em São Paulo

Depois de anunciar que irá processar a alemã Siemens, que denunciou o acordo entre empresas para superfaturar contratos do Metrô durante as gestões de Mário Covas, José Serra e do próprio Alckmin, o tucano pediu para “destacar uma coisa pouco divulgada”. Apesar do escândalo que tem desgastado seu mandato, ele comparou uma recente compra que fez de 65 trens para Companhia Paulista de Trens Metropolitano (CPTM) com uma licitação aberta pelo governo federal.

“No ano passado, nós fizemos licitação para compra de 65 trens para a CPTM. Não tivemos nenhuma denúncia, mas entendemos que os preços estavam elevados e anulamos a licitação. Não precisávamos ter anulado. Judicialmente estava perfeita. Abrimos então uma concorrência pública internacional (...) e conseguimos redução de 20% a 30% no preço. Agora o governo federal acabou de comprar trem para Belo Horizonte e Porto Alegre. Quantos concorrentes tinha a licitação? Um só. Um só”, repetiu na coletiva.

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Questionado então por que estava falando do governo federal em uma coletiva de imprensa sobre o esquema de cartel no Metrô de São Paulo, o governador respondeu. “Eu estou falando porque estou mostrando a diferença. Nós abrimos uma licitação com vários integrantes e conseguimos redução de 20% a 30% do preço. Na licitação do governo federal não teve nem dois concorrentes”, voltou a enfatizar. “Em Porto Alegre e Belo Horizonte, é o mesmo consórcio, formado pelas mesmas duas empresas CAF e Alstom. Só que em uma cidade a CAF é responsável por 93% e a Alstom por 7% do consórcio e, em outra, o contrário. Só estou mostrando o esforço de São Paulo para fortalecer a disputa”, disse.

Ainda assim, o governador não irá rever ou suspender outros contatos, que não são alvos de investigação, que o Estado de São Paulo tem com a Siemens "Os outros contratos estão sendo cumpridos. Não há essa previsão", admitiu o procurador-geral do Estado, Elival Ramos.

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