Tucanos cogitam devolver ao PSD um espaço no secretariado paulista para evitar isolamento da candidatura de Alckmin

Agência Estado

Em tom de brincadeira, funcionários do governo paulista comentam que Geraldo Alckmin (PSDB) deveria evitar viagens ao exterior para impedir que o vice Guilherme Afif (PSD) assumisse o cargo. Eleita na mesma chapa em 2010, a dupla alimentou uma relação de desconfiança e rivalidade nos últimos dois anos. Agora, aliados de Alckmin tentam reverter esse afastamento para amarrar o partido de Afif ao projeto de reeleição do governador.

Temendo o isolamento da candidatura de Alckmin em 2014 e uma possível adesão do PSD a uma chapa do PT no Estado, os tucanos cogitam devolver à sigla do vice um espaço no secretariado paulista. O governador escalou articuladores políticos para iniciar um diálogo cuidadoso com o partido de Afif, mas ainda não decidiu a pasta que estaria disposto a oferecer.

A crise vivida pela dupla teve seu estopim em abril de 2011, quando Alckmin demitiu Afif da Secretaria de Desenvolvimento Econômico para retaliá-lo por sua participação na fundação do novo partido. Para os tucanos, o PSD, presidido por Gilberto Kassab, representava um adversário eleitoral do PSDB em São Paulo.

Acusado de traição pelo grupo de Alckmin por ter embarcado na empreitada de Kassab e abandonado os aliados do DEM, o vice-governador guarda ressentimentos do episódio até hoje. "Eu fui demitido pelo governador. Virei um proscrito no Palácio dos Bandeirantes", repete Afif a políticos próximos, desde então.

O governador e o vice chegaram a firmar uma trégua durante a disputa eleitoral para a Prefeitura de São Paulo, este ano, quando o PSD apoiou a campanha de José Serra (PSDB). A aliança, no entanto, se baseava apenas na proximidade entre Serra e Kassab, e desmoronou minutos depois de o candidato tucano ter sido derrotado no 2.º turno.

Ao deixar o comitê de campanha após o discurso em que Serra reconheceu a vitória de Fernando Haddad (PT), Afif confidenciou a um interlocutor que PSD e PSDB seguiriam caminhos diferentes em São Paulo a partir de então. "Não estamos mais acoplados", desabafou.

Ao longo de 2012, Alckmin observou de longe a aproximação cada vez maior entre Kassab e o governo federal petista. A presidente Dilma Rousseff deve dar um ministério ao PSD no ano que vem, e pode indicar o próprio Afif para comandar uma pasta.

Caso prosperem as negociações entre PSD e PT, os aliados de Alckmin acreditam que o partido de Kassab e Afif tende a lançar uma candidatura própria ou formar uma dobradinha com os petistas em São Paulo, formando-se uma chapa forte contra a reeleição do governador.

A relação fria entre o PSD e o governo tucano é alimentada por uma rivalidade entre Kassab e Alckmin. O prefeito é considerado o pivô da crise pela qual passou o PSDB em 2008, quando alguns tucanos apoiaram a reeleição de Kassab contra a candidatura de Alckmin.

Já o prefeito se irritou com integrantes do PSDB que criticaram abertamente sua gestão. Em conversas com aliados, Kassab responsabilizou o governador pelos ataques que sofreu do secretário de Energia, José Aníbal. O prefeito diz que Aníbal é funcionário do governo e que, portanto, Alckmin seria conivente com as críticas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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