Fairbanks, que participou da Operação Porto Seguro, disse que um processo do TCU sobre concessão de áreas do Porto de Santos que não tinham sido licitadas gerou investigação

A procuradora da República Suzana Fairbanks afirmou na noite de terça-feira (27) que foi um processo do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a concessão de áreas no terminal do Porto de Santos que culminou na investigação da Operação Porto Seguro . A operação, feita pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), desbaratou um esquema criminoso de venda ilegal de pareceres técnicos , e derrubou dos cargos a chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, e o número dois da Advocacia-Geral da União (AGU), José Weber de Holanda.

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"O processo do TCU que gerou toda essa investigação era a concessão de áreas no terminal do Porto de Santos que não tinham sido licitadas", disse. O TCU afirmou ontem que seus servidores serão alvo de investigação.

A investigação da Operação Porto Seguro teve início com um inquérito civil público para a apuração de improbidade administrativa.

O ex-auditor do TCU Cyonil da Cunha Borges de Faria Júnior revelou ao MPF e à Polícia Federal que lhe foram oferecidos R$ 300 mil para que ele elaborasse um parecer técnico a fim de beneficiar um grupo empresarial do setor portuário que atua no Porto de Santos, a empresa Tecondi (Terminal para Contêiners da Margem Direita), em um contrato com a Companhia Docas de São Paulo (Codesp).

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"Ele (Cyonil) é um corrupto que sofreu um golpe, porque recebeu um calote do pagamento. Não pagaram tudo e ele resolveu denunciar o esquema. Eram R$ 300 mil (o prometido) e ele recebeu R$ 100 mil, e ficou cobrando os outros R$ 200 mil", destacou a procuradora.

De acordo com Suzana Fairbenks, os irmãos Paulo e Rubens Vieira, núcleo principal do esquema criminoso, entraram nas agências reguladoras com a ajuda da ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, com quem mantiveram contato, quase semanal, desde 2009.

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"Marcelo (Vieira, o terceiro irmão envolvido) levava dinheiro, buscava documentos, pegava táxi para ir lá em Santos buscar alguma coisa. O Marcelo era o executor e os outros dois irmãos (Paulo e Rubens) eram os cabeças”.

O modus operandi dos irmãos Vieira, segundo a procuradora, chamou atenção. "A documentação dos autos é muito característica. Eles não param de cometer crimes, a polícia até usa essa expressão quando pede as prisões. O fundamento é: eles simplesmente não param de cometer crimes. E foi o que a gente percebeu. É o tempo inteiro, é o modus operandi deles, está na vida deles, eles só fazem isso o tempo inteiro”, disse a procuradora na noite de terça-feira (27).

Os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA); Rubens Carlos Vieira, ex-diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); e Marcelo Rodrigues Vieira, empresário, foram presos na última sexta-feira (23), acusados de formação de quadrilha.

Com Agência Brasil

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