Otimistas, PT, Lula e Dilma fazem pacto de silêncio sobre mensalão

O principal alvo do otimismo petista é o desempenho, considerado ‘brilhante’, do advogado de José Dirceu ontem no STF

Ricardo Galhardo e Wilson Lima - enviado do iG a Brasília e iG Brasília | - Atualizada às

Os primeiros dias de julgamento do mensalão deixaram a direção do PT otimista em relação à absolvição da maior parte dos filiados ao partido. Para evitar marolas, o PT, réus, Palácio do Planalto e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram um pacto de silêncio até o anúncio da sentença pelo Supremo Tribunal Federal.

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“Firmamos um pacto de não ficar mexendo com esse assunto e deixar tudo a critério dos advogados. Foi um acordo da direção com participação de todos os envolvidos”, disse Francisco Rocha, o Rochinha, integrante do diretório nacional do PT e coordenador nacional da maior corrente interna do partido, Construindo um Novo Brasil (CNB).

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O principal alvo do otimismo petista é o desempenho do advogado José Luiz Oliveira Lima, defensor de José Dirceu , na sustentação oral realizada ontem. A performance do advogado foi considerada “brilhante” por misturar respostas cabais às acusações concretas feitas pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, com frases de efeito de forte teor político.


Os dirigentes responsáveis por acompanhar o julgamento passaram o dia de ontem recebendo telefonemas de petistas preocupados com a situação de José Genoino. Muitos consideraram a argumentação do advogado Luís Fernando Pacheco pouco técnica e questionaram o excesso de nervosismo do advogado.

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Além disso o PT comemorou a atuação do advogado Marcelo Leonardo, defensor de Marcos Valério. “Foi o melhor”, disse Rochinha.

Dirigentes do partido têm conversado diretamente com advogados do caso e trocado informações com Lula e o Palácio do Planalto.

A decisão de manter silêncio durante o julgamento foi tomada na semana passada. Pela estratégia, o presidente do PT, Rui Falcão, faria um pronunciamento forte (divulgado na quarta-feira) e a partir de então todos evitariam o assunto, deixando as declarações públicas para advogados.

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Na quinta-feira, a direção petista recebeu uma pesquisa encomendada junto a Vox Populi sobre a imagem do partido. O julgamento foi objeto de perguntas e, segundo relatos, o resultado é amplamente favorável à legenda.

Apesar disso, o PT optou por manter a pesquisa em sigilo para evitar reações contrárias por parte da grande mídia que pudessem influenciar os ministros do STF.

Cogitou-se a possibilidade de Lula também fazer um forte pronunciamento sobre o mensalão. O palco seria um evento de produtores de biodiesel realizado quinta-feira, em São Paulo. Lula, que tem sido informado sobre cada passo do julgamento, calou. Na saída, provocado por jornalistas, disse que tem “mais o que fazer”.

No Palácio do Planalto a estratégia é a mesma. Na manhã desta terça-feira o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tentou driblar jornalistas na entrada de um evento. Depois, acabou dando uma rápida declaração protocolar. A ordem da presidenta Dilma Rousseff é evitar qualquer envolvimento do governo, principalmente em caso de muitas absolvições, para evitar acusações de interferência.

Passado o julgamento, o PT deve fazer um amplo debate sobre os motivos e consequências do mensalão. Rui Falcão chegou a falar em um encontro nacional, outros dirigentes defendem que a autocrítica seja feita no âmbito do Processo de Eleições Diretas (PED), que escolherá a nova direção no ano que vem.

“Temos que fazer uma reflexão depois que isso tudo acabar. Podemos até errar, todo mundo erra, mas não podemos cair em algumas tentações do poder, tentações eleitorais. O resultado final vai servir de exemplo para todos”, disse Rochinha.

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