Foto de Maluf com Lula foi o estopim para Erundina

“Isso já demais”, teria dito Erundina ao ver a foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do ex-prefeito e deputado Paulo Maluf, nesta segunda-feira

Ricardo Galhardo , iG São Paulo | - Atualizada às

Agência Estado
Por exigência de Maluf, Lula vai a evento que oficializou o apoio do ex-prefeito a Haddad

A foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do ex-prefeito e deputado Paulo Maluf (PP-SP) foi o estopim da explosão da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que disse estar revendo a decisão de ser candidata a vice e deflagrou uma crise na campanha do candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad .

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Erundina disse a integrantes da direção do PSB ter se sentido despretigiada por Lula , que se deslocou até a casa de Maluf hoje mas não foi à cerimônia de formalização de sua candidatura à vice de Haddad na sexta-feira, alegando recomendações médicas (ele passou fez uma biópsia e retirou um cateter na quarta-feira). “Isso já demais”, disse Erundina, segundo uma fonte.

O movimento começou na tarde de domingo, apenas dois dias depois de Erundina ser confirmada como candidata a vice. Naquela tarde, Rosalina Santa Cruz, ex-secretária municipal de Educação na gestão Erundina e militante histórica de esquerda, reuniu um grupo de apoiadores e ex-colaboradores da deputada em sua casa, em São Paulo.

O número de participantes vai de 30 a mais de 100, conforme o autor do relato. Em uma foto do encontro publicada no Facebook aparecem mais de 50 pessoas. “Ninguém contou quantas pessoas estavam lá mas o fato é que Erundina esperava no máximo 20 e apareceu uma multidão”, disse um participante.

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Muitos participantes integraram a gestão de Erundina na prefeitura (1989-1993), alguns ainda são filiados ao PT. Aos poucos o clima de saudosismo tomou conta do encontro. “Vamos recompor o que fizemos em 1988”, disse a deputada, num arroubo de empolgação.

Foi então que um participante questionou sobre a possível presença de Maluf na coligação de Haddad. Erundina, então, se comprometeu a lutar contra a aliança com o PP, subindo o tom em relação às entrevistas concedidas dois dias antes, nas quais manifestava desconforto com o acordo mas não se posicionava frontalmente contra a condução da campanha.

No dia seguinte, segunda-feira, Erundina já estava decidida a se posicionar publicamente contra a aliança com o PP. Seria uma forma de não se desmoralizar diante de seu grupo político, que se refere a Maluf apenas como “O Nefasto”. No entanto, ela foi surpreendida pela foto de Lula ao lado de Maluf, o que provocou um ataque de cólera.

Lula na casa de Maluf

No início da tarde, antes da explosão de fúria de Erundina, colaboradores de Lula e dirigentes petistas disseram que a presença do ex-presidente foi uma exigência de Maluf para fechar o acordo. Na manhã de segunda-feira, Lula vestiu um terno cinza, entrou mal-humorado no carro oficial preto e, contrariando orientações médicas, rodou 24 quilômetros que separam seu apartamento em São Bernardo do Campo da mansão do deputado Paulo Maluf (PP-SP), no Jardim América, em São Paulo. Ele passou os 40 minutos da viagem calado.

Na casa de Maluf, trocou poucas palavras, quase sussurros, e posou para fotógrafos que se aglomeravam no portão da garagem. Assim que o portão foi fechado Lula dispensou delicadamente a feijoada oferecida pelo anfitrião alegando restrições de saúde, entrou novamente no carro oficial e voltou para São Bernardo.

Lula ficou pouco mais de 10 minutos na casa de Maluf. “Pelo que me recordo foi a primeira vez que ele esteve lá em casa”, disse o ex-prefeito e deputado Maluf.

Para o deputado de 80 anos, que não pode sair do Brasil por causa de um pedido de prisão internacional e vê seu poderio político declinar a cada eleição, uma foto ao lado de Lula dentro de sua casa teria mais valor do que secretarias num futuro governo Haddad ou cargos de segundo escalão no Ministério das Cidades, comandado por seu próprio partido.

O ex-prefeito negou ter feito a exigência mas um colaborador próximo confirmou: “Maluf não tem mais grandes ambições políticas. Para ele o que vale é a biografia”.

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