Autoridades dizem que Al-Qaeda tenta assustar país e comunidade internacional antes de reunião da Liga Árabe em Bagdá

Uma série de ataques a bomba e a tiros deixou mais de 40 mortos em oito cidades do Iraque nesta terça-feira, tendo como principais alvos a polícia e peregrinos xiitas. Nenhum grupo assumiu responsabilidade pelos atentados, que deixou mais de 200 feridos.

Autoridades acreditam que a rede terrorista Al-Qaeda esteja por trás da série de ataques, numa tentativa de assustar os líderes que irão ao país para uma reunião da Liga Árabe, a primeira a ser realizada no Iraque em uma geração. No ano passado, o país adiou os planos de sediar a cúpula em parte por causa de dúvidas quanto à segurança.

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Segundo fonte policiais, mais de 100 pessoas estão feridas
Reuters
Segundo fonte policiais, mais de 100 pessoas estão feridas

A violência começou durante a madrugada, quando insurgentes detonaram explosivos na casa de um policial na cidade de Fallujah, oeste do país, atiraram contra um posto de segurança na capital, Bagdá, e atacaram uma delegacia em Kirkurk, no norte.

Um dos piores ataques desta terça-feira aconteceu em Karbala, uma cidade santa para os xiitas, na qual dois carros explodiram perto de um shopping e uma área cheia de restaurantes.

Saman Majid, um cinegrafista que trabalha para o departamento de polícia de Kirkuk, disse que a bomba explodiu na delegacia da cidade pouco depois de ele chegar ao trabalho.

"Saí do meu carro correndo e vi corpos queimando, presos dentro de carros", afirmou. "Dezenas de veículos estavam pegando fogo. Foi uma cena do inferno: apenas muito fogo, mortos e nada mais."

Dois dos ataques dessa terça-feira aconteceram bem perto da chamada "zona verde" de Bagdá, que conta com medidas especiais de segurança e onde a cúpula da Liga Árabe será realizada. Na semana passada, o governo iraquiano disse que um número sem precedentes de policiais e soldados será usado para proteger a capital durante a reunião: cerca de 26 mil.

Insurgentes realizam ataques de grande escala no Iraque desde a retirada das tropas americanas , finalizada em dezembro. Pouco depois de os soldados dos EUA deixarem o país, o Iraque mergulhou em uma profunda crise política que aumentou o temor em relação a conflitos sectários no país.

A crise entre xiitas e sunitas foi motivada pela emissão de um mandado de prisão contra o vice-presidente sunita, Tareq al-Hashemi. O governo xiita do primeiro-ministro Nouri al-Maliki acusa Hashemi de ter pago seguranças para assassinar autoridades do governo – o que ele nega.

Forças de segurança fazem vistoria em local de uma das explosões
Reuters
Forças de segurança fazem vistoria em local de uma das explosões

Com AP

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