O atentado que ligou Reagan, Jodie Foster e Sebastião Salgado

Há 30 anos, um homem obcecado pela atriz atirou contra o presidente dos EUA e foi fotografado por um brasileiro

Leandro Beguoci, iG São Paulo | 30/03/2011 22:16

Compartilhar:

Foto: NYT Ampliar

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado

O atentado sofrido por Ronald Reagan, que completa 30 anos nesta quarta-feira, expôs a paixão psicótica de um homem pela atriz Jodie Foster e alavancou diretamente (e involuntariamente) a carreira do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.

Quando John Hinckley Jr. atirou em Reagan naquele 30 de março de 1981 para chamar a atenção de Foster, atriz de filmes como Taxi Driver e O Silêncio dos Inocentes, ele não estava apenas entrando para a populosa galeria de pessoas que atiraram contra presidentes dos Estados Unidos. Ele mudou a trajetória de Reagan, que se transformaria em um dos presidentes mais populares do país, e de Salgado, que fez as melhores fotos do atentado.

Salgado já trabalhava, em 1981, para a mítica agência Magnum, fundada por um dos gigantes da fotografia, Henri Cartier Bresson. Ele estava em Washington a serviço da revista semanal do jornal "The New York Times", fazendo as imagens do que seria uma reportagem especial sobre os 100 primeiros dias de governo de Reagan.

Foto: null

A atriz Jodie Foster

O brasileiro percebeu, antes dos outros jornalistas, que um homem levantou uma arma para atirar em Reagan em frente ao hotel Hilton, em Washington. Imediatamente, começou a fotografar com sua câmera Laica. Em um minuto e meio, fez cerca de 70 imagens do atentado e do atirador, as imagens definitivas sobre o fato.

Ao vender os direitos de reprodução das fotos, ele conseguiu dinheiro suficiente para comprar um carro, um apartamento em Paris e, tão importante quanto, obter independência financeira e status profissional para seguir carreira solo e se consagrar como o fotógrafo das imagens em preto e branco que retrata miseráveis em todas as partes do planeta. Salgado não revela o quanto ganhou com as fotos, mas estima-se que seja algo em torno de US$ 250 mil.

Já Reagan, ao se tornar o primeiro presidente no exercício do cargo a sobreviver a um atentado, ganhou a imagem de força e resistência que marcaria seu mandato, tornando ainda mais indistinguíveis os limites entre cinema e vida que ele, como ex-ator, cultivou durante seus oito anos na Casa Branca. Reagan fez questão de aparecer em público logo após sair do hospital, 13 dias depois do atentado. E, a partir daquele dia, levaria adiante uma missão obstinada: derrotar a União Soviética e por fim à Guerra Fria. Reagan conseguiu, e o resto já faz parte da história do mundo.

Foto: Getty Images Ampliar

Ronald Reagan durante discurso na Casa Branca em 1987

Hinckley Jr, por sua vez, foi considerado louco pela justiça e preso em um hospital psquiátrico. Após os tiros, disse que o atentado foi a maior prova de amor que alguém já ofereceu a uma mulher. O atentado, o último a tiros cometido contra um presidente dos EUA, não teve efeitos sobre a carreira de Jodie Foster, que se consagrou como atriz de grandes papéis e vencedora de Oscar no final dos anos 80 e começo da década de 90. Um dos sinais de que ela não se abalou é simples: ela seguiu fazendo papéis que lidam com pessoas obsessivas, como em Acusados, de 1988, que lhe rendeu seu primeiro prêmio da academia de cinema de Hollywood.

Dias como aquele 30 de março reforçam a convicção de que estar no lugar certo na hora certa, como foi o caso de Salgado, pode fazer toda a diferença na vida de alguém. Mas saber o que fazer depois do momento certo e da hora certa é o que vai definir quem ela é e quão longe pode chegar. Salgado e Reagan, pelo jeito, já conheciam essa lição.

Neste link, você pode ver algumas imagens do atentado.

    Notícias Relacionadas



    Previsão do Tempo

    Previsão Completa

     
    • Hoje
    • Amanhã

    INDICADORES ECONÔMICOS

    Câmbio

    moeda compra venda var. %

    Bolsa de Valores

    indice data ultimo var. %
    • Fonte: Thomson Reuters
    Ver de novo