Irã ameaça fechar Estreito de Ormuz se sofrer novas sanções

Vice-presidente iraniano prometeu bloquear passagem, responsável pelo transporte de um quinto do petróleo mundial

The New York Times |

Uma autoridade iraniana fez uma ameaça na terça-feira em resposta às sanções econômicas feitas pelos Estados Unidos , dizendo que seu país retaliará as medidas bloqueando todos os navios de petróleo que atravessam o Estreito de Ormuz, uma artéria vital que transporta cerca de um quinto do petróleo utilizado em todo o mundo.

Leia também: EUA ampliam sanções contra Irã por programa nuclear

Reuters
Militares iranianos colocam bandeira em um submarino de guerra Velayat-90 no estreito de Ormuz

A declaração feita pelo primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad-Reza Rahimi, ocorre em meio às vésperas da assinatura do presidente Obama em uma lei que, se for implementada completamente, pode reduzir substancialmente as receitas de petróleo do Irã, em uma tentativa de impedir que o país persa trabalhe para obter armas nucleares.

O governo Obama tem tentado cortar os mercados de energia do Irã sem prejudicar o preço da gasolina para seu consumidor final, e sem alienar alguns dos principais aliados de Washington.

Temeroso pelo impacto da possibilidade de mais sanções na economia já prejudicada do Irã, o terceiro maior exportador de energia do mundo, Rahimi disse: "Se eles impuserem sanções na exportação de petróleo do Irã, nenhuma gota de óleo vai conseguir passar do Estreito de Ormuz". O Irã começou um exercício naval com duração de dez dias na região.

Em entrevistas recentes, autoridades do governo americano disseram que os Estados Unidos desenvolveram um plano para manter o estreito aberto, apesar da crise. No Havaí, onde o presidente Obama passa as suas férias, um porta-voz da Casa Branca disse que não teceria nenhum comentário sobre a ameaça do Irã. Isso condiz com o que as autoridades administrativas vem afirmando de que há um esforço para diminuir a troca de ameaças e palavras de ódio, em parte para evitar dar ao governo do Irã uma certa satisfação, e por outro lado, evitar também o pavor no mercado financeiro.

Mas as sanções no setor de energia carregam o risco do confrontamento, bem como da perturbação econômica, dada a imprevisível resposta do Irã. Algumas autoridades acreditam que a trama para matar o embaixador saudita nos Estados Unidos - a qual Washington afirma ter recebido financiamento do Esquadrão Quds, parte da Guarda Revolucionária Iraniana - foi uma resposta aos EUA às outras sanções internacionais.

O ato de fazer a ameaça pode ser parte do esforço do Irã para demonstrar ao mundo sua habilidade de causar um aumento nos preços do petróleo, retardando assim a economia americana, além de alertar aos parceiros comerciais dos EUA que se unir às novas sanções, as quais o Senado aprovou com uma rara unanimidade, de 100 votos a zero, pode ter um alto custo.

Os preços do petróleo superou os US$ 100 o barril na negociação após a ameaça, embora não tenha ficado claro o quanto isso possa ser atribuído à preocupação dos investidores no conflito do Golfo Pérsico.

As novas medidas de punição aumentariam significativamente as sanções americanas contra o Irã. Elas vem a um mês e meio depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ter publicado um relatório que pela primeira vez afirma que o país persa trabalha secretamente para obter armas nucleares, apesar de Teerã ter negado isso repetidas vezes.

Devido ao relatório da AIEA e um ataque em novembro à Embaixada do Reino Unido em Teerã , a União Europeia irá igualmente aplicar sanções severas, que incluem um embargo ao petróleo iraniano.

Por cinco anos, os Estados Unidos implementaram sanções rígidas na tentativa de forçar os líderes do Irã em reconsiderar seu programa nuclear, além de responder a uma extensa lista de perguntas da AIEA.

Agora, pressionado pelo Congresso, o governo está se preparando para o passo final, punindo as corporações estrangeiras que fazem negócios com o Banco Central do Irã, que coleta os pagamentos da maioria dos exportadores energéticos do país.

Essa sanção iria efetivamente dificultar aqueles que fazem negócios com o Banco Central para também realizar transações financeiras com os Estados Unidos. Essa medida é tão severa que um dos principais nomes da segurança do governo Obama disse há dois meses que esse seria "um último recurso". O governo colocou algumas brechas na legislação final para que pudesse reduzir o impacto sobre os aliados a Washington.

A lei permite que o presidente Obama renuncie as sanções, caso elas provoquem um aumento no preço do petróleo ou ameace a segurança nacional.

Ainda assim, as novas sanções prejudicam cruciais setores da economia, diplomacia, e segurança. Obama, reconheceram seus assessores, não tem nenhum interesse em um aumento significante nos preços do petróleo em um momento de enfraquecimento da economia doméstica e de sua tentativa de reeleição .

David E. Sanger and Annie Lowrey

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