Em meio a ameaças da Coreia do Norte, Coreia do Sul cogita arsenal nuclear

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Crescente número de políticos e colunistas defende medida perante avanço de programa nuclear e de mísseis de Pyongyang e temores de que EUA não possam manter apoio a Seul

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Enquanto seu país prosperava, a maioria dos sul-coreanos amplamente desconsiderava a constante ameaça de um ataque da Coreia do Norte. Mas avanços em mísseis e no programa nuclear e fortes ameaças de guerra têm aumentado os temores no Sul de que até mesmo pequenos erros de cálculo de novos e inexperientes líderes possam ter consequências desastrosas.

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Agora, essa nova sensação de vulnerabilidade faz com que alguns influentes sul-coreanos quebrem um tabu de décadas ao pedir abertamente que o Sul desenvolva seu próprio arsenal nuclear, um movimento que poderia aumentar o que está em jogo em uma das regiões mais militarizadas do mundo.

Embora poucos em Seul acreditem que isso deverá acontecer a qualquer momento, duas pesquisas de opinião recentes mostraram que dois terços dos sul-coreanos apoiam a ideia exposta por um pequeno mas crescente número de políticos e colunistas - um reflexo, de acordo com analistas, da mudança de atitudes desde o teste nuclear subterrâneo da Coreia do Norte em 12 de fevereiro, o terceiro desse país desde 2006.

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"O terceiro teste nuclear foi para a Coreia do Sul o que a crise dos mísseis em Cuba significou para os EUA", disse Han Yong-sup, um professor de política de segurança na Universidade Nacional de Defesa da Coreia, em Seul. "Ele fez com que a ameaça da Coreia do Norte parecesse muito próxima e real."

Mas, além do medo imediato de uma provocação militar, analistas disseram que a Coreia do Sul também está preocupada. Um dos maiores medos é o ressurgimento de antigas preocupações sobre a confiabilidade do protetor de longa data dessa nação, os EUA, que têm procurado assegurar seu aliado de que continuará comprometido com a região.

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Especialistas afirmaram que a discussão sobre aquisição de armas nucleares pela Coreia do Sul é uma forma oblíqua de expressar os medos de um número pequeno mas crescente de sul-coreanos de que os EUA, por causa de cortes orçamentários ou por falta de vontade, podem um dia não agir como um porto seguro político da Coreia do Sul.

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"Os americanos não acreditam que as armas nucleares da Coreia do Norte sejam uma ameaça direta", disse Chung Mong-joon, um filho do fundador do grupo industrial Hyundai e ex-líder do partido do governo, que tem sido o principal proponente do desenvolvimento de um programa de armas nucleares da Coreia do Sul. "Em um momento de crise, não há 100% de certeza de que os americanos nos protegerão com seu guarda-chuva nuclear."

Por Martin Fackler e Choe Sang Hun

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