Na Alemanha, papa defende diálogo com muçulmanos e protestantes

Bento 16 visita cidade onde Martin Lutero foi ordenado sacerdote e elogia sua 'paixão pelas questões de Deus'

iG São Paulo |

O papa Bento 16 fez um apelo nesta sexta-feira por um melhor diálogo da Igreja Católica com muçulmanos e protestantes, durante o segundo dia de sua visita à Alemanha.

Na capital alemã, Berlim, Bento 16 participou um encontro com muçulmanos no qual reconheceu “a necessidade de progredir no diálogo”.

Na Alemanha vivem entre 3,8 milhões e 4,3 milhões de muçulmanos, o equivalente a entre 4,6% e 5,2% da população.

“A presença de várias famílias muçulmanas desde a década de 1970 se transformou em uma característica crescente neste país”, disse o papa durante a cerimônia na Nunciatura Apostólica, em Berlim.

Ele ressaltou, porém, que a Constituição do país “deve ser a base da convivência humana”, em uma velada advertência aos extremismos religiosos.

Participaram do encontro, entre outros, o presidente do Conselho Central dos Muçulmanos na Alemanha, Aiman Mazyek, e membros da União Turco-Islâmica e do escritório de religião Ditib.

O encontro teve um ambiente cordial para superar as críticas dirigidas contra o papa há cinco anos, quando Bento 16 associou os muçulmanos e o Islã à violência em um discurso em Regensburg, na Alemanha.

Lutero

Depois, Bento 16 partiu de Berlim para Erfurt, numa visita de grande simbolismo já que foi lá que Martin Lutero estudou Direito e Teologia em 1501 e foi ordenado sacerdote em 1507. Nesse período, Lutero, que era católico, refletiu sobre o que seria o começo da Reforma protestante.

Durante a visita, Bento 16 prestou homenagens a Lutero e enfatizou sua “profunda paixão pelas questões de Deus”.

"O que não dava paz (a Lutero) era o assunto de Deus, sua paixão profunda e a força de sua vida. O pensamento de Lutero estava completamente centrados em Cristo", declarou o papa em um discurso pronunciado a portas fechadas no convento dos Agostinianos, onde o pensador da reforma viveu seis anos.

Bento 16 pediu que luteranos e católicos busquem o que têm em comum num mundo cada vez mais laico. "O mais necessário para o ecumenismo é que, sob a pressão da secularização, não percamos as grandes coisas que temos em comum", afirmou.

"Foi um erro da era confessional ter visto em maior parte apenas o que nos separava e não perceber de maneira existencial o que temos em comum nas grandes orientações da Santa Escritura e nas profissões de fé do cristianismo antigo", completou.

Com AFP e EFE

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