Deputado eleito é assassinado a tiros na Guatemala

A um dia da posse presidencial, Oscar Valentín Leal e seu irmão foram mortos em um ataque; político recebia 'muitas ameaças'

iG São Paulo |

O deputado Oscar Valentín Leal, eleito pelo Congresso da Guatemala no último mês de setembro, e seu irmão Erick foram assassinados nesta sexta-feira, na véspera da data prevista para a cerimônia de posse presidencial.

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O general aposentado Otto Pérez Molina, que assumirá a presidência do país substituindo Álvaro Colom, confirmou que Leal iria compor as cadeiras do governista Partido Patriota (PP) na nova legislatura.

"Lamentamos o assassinato do deputado Valentín Leal que morreu nesta sexta-feira em um ataque, ao lado de um irmão", declarou a jornalistas Pérez, que será empossado presidente no sábado.

Leal foi reeleito nas eleições gerais de setembro pelo partido Liberdade Democrática Renovada, cujo candidato à presidência, Manuel Baldizón, foi derrotado no segundo turno, em novembro.

Ele tinha sido eleito pelo Estado de Alta Verapaz, que se tornou nos últimos anos uma área controlada por cartéis de drogas, e onde vigorou nos últimos cinco meses um estado de exceção decretado em dezembro de 2010 por Colom na tentativa de recuperar o território.

Na legislatura 2008-2012, Leal foi deputado do governista União Nacional da Esperança (UNE). Segundo Pérez Molina, Leal estava recebendo "muitas ameaças" por meio de ligações telefônicas, embora não tenha detalhado de onde e quem articulava essas advertências.

"Lamentamos todo esse clima de violência e insegurança. É triste que ainda ocorra este tipo de situações", declarou o militar aposentado, de 61 anos, que será assumirá o cargo de novo Chefe de Estado na presença de numerosas delegações internacionais.

Segundo testemunhas, homens em motocicleta atiraram contra o veículo em que viajava o deputado, seu irmão Erick Leal, e um agente de segurança pessoal que ficou ferido, em ataque praticado em pleno centro histórico da Cidade da Guatemala, a poucos metros do prédio do Congresso.

O futuro chefe de Estado, de 61 anos, comentou à imprensa que embora Leal fosse candidato a deputado pelo Líder, na quinta-feira participou de uma reunião da bancada do Partido Patriota porque queria integrar este partido.

"Ontem (quinta-feira), o deputado apresentou sua carta e a temos em mãos. Ele nos disse que queria apresentá-la no (dia) 14 porque queria ser parte da bancada de Patriota" na nova legislatura, disse Pérez, especialista em contrainsurgência, que chefiou um quartel de Quiché - na fronteira com Alta Verapaz - durante a guerra civil (1960-1996).

O futuro presidente da Guatemala fez uma chamada ao Ministério Público para que encontrem os responsáveis pelo assassinato do deputado eleito, de modo que esse crime não fique impune.

O porta-voz da Polícia Nacional Civil (PNC), Jorge Aguilar, disse que os agentes dessa instituição e da procuradoria já abriram uma investigação para apurar o caso e estão verificando as gravações das câmeras que estão instaladas na estrada onde aconteceu o duplo assassinato.

O assassinato provocou reações de indignação imediatas. O presidente do Congresso, Roberto Alejos, da UNE lamentou o crime e destacou o impacto negativo que terá para o país. "Definitivamente, este fato ameaça a imagem do país em nível internacional, devido à violência e porque estamos a 24 horas da transmissão do comando presidencial e assuma a nova legislatura" no Parlamento, comentou.

Sob fortes medidas de segurança, que envolvem 2 mil policiais, apoiados por militares, Pérez tomará posse em uma cerimônia que começará às 14h30 locais (18h30 de Brasília) de sábado, em um estádio polidesportivo do sul da capital, com a presença de dez chefes de Estado e de governo.

Com AFP e EFE

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