Fiéis querem atualizações mais frequentes e espaço para comentários; para especialista, mídias sociais mudam imagem mas não estrutura da Igreja Católica

BBC

Em seus oito anos de papado , Bento 16 criou uma conta no Twitter , coordenou a abertura de páginas da Santa Sé no YouTube e no Facebook e autorizou a criação de um site feito para o catecismo da juventude, o YouCat.

A iniciativa da Igreja Católica em entrar nas redes sociais é bem vista por jovens brasileiros ouvidos pela BBC Brasil , que veem esses sites como novos e confiáveis meios para se informar sobre o papa e a religião.

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Mas, em geral, eles acreditam que faltam à faceta online da Igreja Católica conceitos básicos da chamada web 2.0, ou seja, mais espaço para interação e participação dos usuários.

Porque se de um lado a Santa Sé marca presença em diferentes mídias sociais, por outro, há um cenário em que o canal do YouTube do Vaticano modera os comentários (e aparentemente não aprova nenhum), no Flickr também não se pode comentar as fotos e o papa não segue ninguém no Twitter, posta a cada três ou quatro dias, e não responde as menções a ele.

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"Com as mídias sociais, a Igreja consegue atingir os jovens com credibilidade e com uma linguagem mais simples e direta. E isso é ótimo", afirma Pitter di Laura Daltro Xavier, 30 anos, missionário católico e vocalista da banda religiosa Conexa.

"Mas acho que seria preciso ter, por exemplo, mais constância nas atualizações e fazer as postagens de maneira mais atraente."

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Sempre ligada no Facebook e no Twitter, Gabriela Lima Pereira, 13 anos, acha importante a presença online da Igreja para informar os jovens que não veem muito jornal ou TV, mas também não está totalmente satisfeita. "Acho que seria legal se o papa tuitasse mais", diz a adolescente, que faz catequese de sábado e costuma ir à missa aos domingos.

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Para o missionário Pitter, ajustes como esse serão feitos em breve, já que a presença online da Igreja é nova e ainda está amadurecendo: "É inevitável que a equipe que cuida do Twitter do papa perceba que com atualizações mais constantes, as pessoas vão acessar mais e a conta vai crescer."

Mas para o pesquisador Moisés Sbardelotto, autor do livro "E o Verbo se fez bit: A comunicação e a experiência religiosas na internet", as falhas do Vaticano online não parecem que serão resolvidas a curto prazo.

Ele acredita que as mídias sociais trouxeram uma mudança de imagem para o papa e a Igreja, mas não de estrutura: "Elas tornam a instituição mais antenada com os jovens, mas faz isso apenas nesse âmbito que é o mais fácil, onde em poucos cliques se abre uma conta no Twitter. Mas nada mudou em relação às questões mais difíceis, como uma real aproximação com os jovens", diz o autor, em referência a uma disposição maior da instituição em ouvir a juventude, tanto online como presencialmente.

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Para Sbardelotto, a falta de desenvoltura nas redes sociais reforça a visão que muitos têm da Igreja, de uma instituição com pouco espaço para opiniões de fora e que é vista pela sociedade como retrógrada.

Para reverter esse cenário e se aproximar mais dos jovens, ele aposta no próximo papa. "O primeiro passo seria justamente ouvir mais e falar menos. A igreja não oferece âmbitos para que os jovens possam ser ouvidos de verdade."

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Já a chilena Camila Jara Aparício, secretária-geral do Movimento Internacional de Estudantes Católicos, reconhece que o uso das mídias sociais é um desafio para a Igreja e que "mudança nunca é um processo fácil", mas acha que a Igreja "sempre se adaptou".

"É difícil chegar aos jovens hoje em dia, você tem que usar os meios com os quais os jovens são familiarizados", disse ela à BBC Brasil . É um desafio manter sites atualizados - e manter o interesse dos jovens."

"É bem mais fácil capturar a atenção dos jovens no Twitter, Facebook e em outras mídias sociais. No começo, não foi fácil aceitar que a mensagem é um pouco mais superficial, mas não podemos negar o fato de que pessoas jovens preferem usar essas redes".

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Mais atenção aos jovens

Ativo em várias atividades de sua paróquia, o carioca Thomaz Pogili, 21 anos, também tem grandes expectativas em relação à atuação do novo papa no que diz respeito à juventude.

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"Espero que ele reveja alguns conceitos da Igreja e apoie os padres que realmente aproximam a Igreja dos fiéis", diz o jovem, que foi abençoado pelo papa Bento 16 em pessoa, durante a Jornada da Juventude do ano passado, em Madri.

"Porque a Igreja é feita por todos e por isso os padres precisam ouvir e estudar suas comunidades. Ver o que o povo precisa e não apenas impor seus dogmas."

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