Ataques a igrejas durante missa de Natal causam mortes na Nigéria

Pelo menos 32 pessoas morreram na explosão mais grave em frente igreja lotada

iG São Paulo |

Uma explosão nos arredores de uma igreja em Madala, cidade satélite a 40 quilômetros da capital da Nigéria, Abuja, matou pelo menos 35 pessoas. Outras explosões foram notificadas: uma delas na igreja evangélica da cidade de Jos (centro), na qual morreu um policial que vigiava o templo, e no templo de Damaturu, onde quatro pessoas morreram. Ao todo, pelo menos 40 pessoas foram assassinadas nos atentados. 

Reuters
Carros destruídos por bomba que explodiu em frente a igreja e causou dezenas de mortes na Nigéria
O grupo islâmico Boko Haram assumiu a responsabilidade. "Somos responsáveis por todos os ataques dos últimos dias, inclusive a bomba na igreja de Madalla", disse à AFP, em declarações por telefone, um porta-voz da Boko Haram, Abul Qaqa."Continuaremos lançando ataques como estes no norte do país nos próximos dias", advertiu a fonte. O movimento tem como objetivo impor a lei islâmica, a Sharia, em todo a Nigéria, onde a população é dividida de forma relativamente igual entre cristãos e muçulmanos. O grupo intensificou suas táticas neste ano e aprimorou a sofisticação de seus explosivos.

"Guerra civil"

O ministro nigeriano encarregado da polícia, Caleb Olubolade, disse que em Madalla ocorria uma "guerra". "É como se tivesse sido iniciada uma guerra civil no país. Devemos estar à altura e enfrentar a situação", afirmou Olubolade.O aumento das tensões interreligiosas na Nigéria, sexto país do mundo em número de cristãos, inquieta o Vaticano.Em novembro passado, durante sua visita a Benin , o papa Bento 16 insistiu na tradição tolerante do Islã na África e na coexistência pacífica entre muçulmanos e cristãos.

A Igreja Católica de Santa Teresa  estava lotada quando uma forte bomba explodiu durante uma missa de Natal. "Estávamos na igreja com minha família quando ouvimos a explosão. Nós simplesmente corremos para fora", disse Timothy Onyekwere à Reuters. "Agora não sabemos onde estão meus filhos e minha esposa. Não sei quantos morreram, mas havia muitos mortos."

Horas depois da primeira bomba, explosões foram registradas na Montanha de Fogo e na Igreja dos Milagres, em Jos, cidade de mistura étnica e religiosa na região central da Nigéria, e em uma igreja em Gadaka, cidade localizada no norte. Moradores disseram que muitos ficaram feridos em Gadaka.

A polícia encontrou outros dois explosivos em Jos, que os oficiais desativaram. Um homem também foi preso em ligação ao incidente.

O Boko Haram - que em hauçá, idioma do norte da Nigéria, significa "Educação ocidental é pecado" - é vagamente inspirado no movimento do Taliban, no Afeganistão. A seita foi culpada por uma dúzia de explosões e tiroteios no norte do país, e assumiu responsabilidade por dois ataques a bomba em Abuja, neste ano. Entre os ataques estava o primeiro ataque suicida ocorrido no país, contra a sede da ONU na Nigéria, em agosto, que matou ao menos 23 pessoas.

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, um cristão do sul do país que está com dificuldades para conter a ameaça da militância islâmica, disse que a série de incidentes era "lamentável", mas que o Boko Haram "não estaria (por aí) para sempre. Terminará um dia".

Ano passado também houve ataques

No ano passado, uma série de ataques ocorreu em meio a celebração do Natal na cidade de Jos, também na Nigéria. Foram mortas pelo menos 32 pessoas e o grupo reivindicou a autoria dos atentados. Por causa disso, a embaixada americana nos Estados Unidos já havia dado um alerta especial na sexta-feira para áreas de circulação de estrangeiros.

Vaticano lamenta "ódio cego"

 O Vaticano classificou os atentados contra igrejas na Nigéria no dia do Natal como atos "absurdos", que demonstram um "ódio cego, que não tem respeito algum pela vida" e alimenta a confusão, afirmou o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi.

Elei expressou a solidariedade da Igreja com todo o povo nigeriano e a igreja desse país africano, "golpeados pela violência terrorista em dias que deveriam ser de alegria e paz".

*com AP, AFP, EFE e Reuters

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