Vitória em New Hampshire aumenta interesse sobre 'azarão', que precisa atrair hispânico para desbancar favoritismo da rival

BBC

A ex-secretária de Estado dos EUA: apesar de tudo, vantagem segue tranquila entre alguns grupos
Divulgação
A ex-secretária de Estado dos EUA: apesar de tudo, vantagem segue tranquila entre alguns grupos


A vitória de Bernie Sanders em New Hampshire, na terça-feira (9), aliada ao empate na disputa em Iowa, há uma semana, lança o senador aos holofotes da disputa democrata e deixa a campanha de Hillary sob forte pressão. 

Mas concluir que a fatura da ex-secretária de Estado está liquidada pode ser precipitado. Segundo as pesquisas, o bom desempenho de Sanders se dá em estados com ampla maioria branca – caso de New Hampshire, onde obteve uma vitória convincente na prévia na unidade federativa, com mais de 20 pontos percentuais de diferença sobre a rival. Entre os negros americanos, porém, grupo especialmente importante em prévias no sul do país, Hillary está bem à frente nas pesquisas. 

Ela concentra as preferências do grupo, embora Sanders prometa privilegiar os mais pobres, universalizar a saúde e tornar gratuitas as universidades públicas – medidas que tendem a favorecer principalmente os negros, grupo populacional mais pobre, menos escolarizado e com menos acesso à saúde nos EUA.

Republicanos
Os eleitores de origem latino-americana também terão papel relevante na decisão. Novamente, é Hillary quem leva vantagem folgada no grupo, ainda que dois concorrentes republicanos tenham laços sanguíneos com o continente. O senador Ted Cruz – Rafael Edward Cruz – é filho de um cubano e cresceu no Texas, onde 40% da população é hispânica.

Bernie Sanders discute com Hillary Clinton durante debate televisionado pela rede ABC News
ABC/ Ida Mae Astute
Bernie Sanders discute com Hillary Clinton durante debate televisionado pela rede ABC News

Mas Cruz raramente menciona a origem de seu pai e, ao disputar a vaga que hoje ocupa no Senado, recusou um desafio de seu oponente por um debate em espanhol (ele diz que seu domínio da língua é "paupérrimo").

Suas propostas sobre imigração – tema que mais mobiliza o eleitorado latino – estão entre as mais conservadoras de todos os pré-candidatos: propõe erguer um muro na fronteira com o México, anular uma decisão federal que anistiou parte dos imigrantes sem documentos e intensificar as deportações.

O outro candidato hispânico é o senador Marco Rubio, nascido na Flórida e filho de pais cubanos. Por enquanto, porém, nem entre os cubano-americanos da Flórida Rubio lidera as pesquisas.

Nos debates, Rubio é o candidato que mais tem encampado o discurso sobre o "excepcionalismo" dos EUA – a ideia de que o país possui características únicas, que devem ser celebradas independentemente da opinião de estrangeiros ou das experiências de outros países. Para ele, o país é "a maior nação que já existiu na história da humanidade".

É possível que Rubio ou Cruz conquistem a vaga republicana, mas o apoio do segundo hoje se concentra entre evangélicos brancos e o segundo tenta se tornar o candidato do establishment conservador.

Na prévia republicana em New Hampshire, o vencedor foi Donald Trump, que teve mais que o dobro de votos do segundo colocado, o governador de Ohio, John Kasich.

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