Presidente da Síria diz receber informações sobre ataques liderados pelos EUA

Por BBC | - Atualizada às

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Em entrevista à BBC, Bashar al-Assad negou contato direto com EUA, mas afirmou ser informado por terceiros sobre operações da coalizão contra Estado Islâmico

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O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse que seu governo está sendo informado sobre as operações da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o grupo autodenominado "Estado Islâmico" (EI)..

Em entrevista exclusiva à BBC, Assad disse não ter havido nenhuma cooperação direta com os americanos desde o início dos ataques aéreos na Síria em setembro, mas que outros países da coalizão - como o Iraque - estariam transmitindo informações.

"Às vezes, eles transmitem uma mensagem. Uma mensagem geral, mas nada sobre táticas", disse Assad, na conversa com o editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, no palácio presidencial em Damasco.

"Não há diálogo. Há, digamos, informação, mas não diálogo."

Membros do Exército feminino treinam habilidades de combate antes de combaterem o Estado Islâmico em acampamento militar no Iraque (18/09). Foto: ReutersMilitar curdo lança morteiros em direção Zummar, controlada pelo Estado Islâmico, em Mosul, Iraque (15/09). Foto: ReutersMilitantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014). Foto: APObama prometeu ofensiva com ataques aéreos na Síria e no Iraque para combater EI (12/09). Foto: ReutersMilitares curdos em tanque enfrentam militantes do Estado islâmico em Mosul, Iraque (7/09). Foto: ReutersMilitante curdo dá cobertura durante confrontos do Estado Islâmico na linha de frente da vila de Buyuk Yeniga, Iraque (4/09). Foto: ReutersMilicianos xiitas do Iraque disparam suas armas enquanto celebram a quebra de cerco do Estado Islâmico em Amerli (1/09). Foto: ReutersGrupo carrega caixão de militante xiita iraquiano da Organização Badr, que foi morto em confrontos com militantes do Estado Islâmico no Iraque (1/09). Foto: ReutersCriança chora em helicóptero militar após ser retirada pelas forças iraquianas de Amerli, ao norte de Bagdá (29/08). Foto: ReutersCurdos e militantes islâmicos lutam no norte do Iraque (12/08). Foto: ReutersIraquianos carregam retratos do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki enquanto se reúnem em apoio a ele em Bagdá, Iraque (11/08). Foto: ReutersMilhares de iraquianos fugiram com avanço de militantes do EI, inclusive integrantes de minorias religiosas (9/08). Foto: APTropas curdas implantam segurança intensa contra os militantes islâmicos do Estado em Khazer (8/08). Foto: ReutersTropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08). Foto: ReutersParentes choram a morte de homem da YPG, morto durante confrontos com combatentes do Estado Islâmico na cidade iraquiana de  Rabia, na fronteira do Iraque-Síria (6/08). Foto: ReutersVoluntários xiitas do Exército iraquiano se recuperam em hospital após serem feridos em confrontos com militantes do Estado Islâmico em Basra, sudeste de Bagdá (6/08). Foto: ReutersMulher visita túmulo de um parente em cemitério durante as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, em Bagdá (28/07). Foto: ReutersSoldado iraquiano perto de corpo de um membro do Estado Islâmico que morreu durante confrontos com forças iraquianas em Tikrit, Iraque (19/07). Foto: ReutersBandeira preta usada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante flamula de delegacia danificada em Mosul, norte do Iraque (1/7). Foto: APVoluntário xiita do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano aponta arma durante treinamento em Najaf, Iraque (26/6). Foto: ReutersMembros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante reforço de segurança no oeste de Bagdá, Iraque (24/6). Foto: ReutersXiitas iraquianos se preparam para patrulhar a aldeia de Taza Khormato, na rica província petrolífera de Kirkuk, no Iraque (22/6). Foto: APCombatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06). Foto: APManifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4). Foto: APCombatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06). Foto: ReutersCombatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6). Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

'Sem diálogo'

Muitos países da coalizão se recusam a cooperar com Assad, que desde 2011 enfrenta rebeldes que querem tirá-lo do poder.

Mas a tomada de grandes partes da Síria e do Iraque pelo 'Estado Islâmico' no ano passado, que deu sequência à criação de um autoproclamado "califado", geraram uma situação em que estes países hoje consideram trabalhar com o líder sírio para combater o grupo.

Apesar disso, Assad descartou participar da coalizão internacional contra o 'EI'. "Não, definitivamente não podemos e não temos a vontade e não queremos, por uma simples razão - porque não podemos estar numa aliança com países que apoiam o terrorismo", disse.

Ele não entrou em detalhes do argumento, mas o governo sírio, em linhas gerais, classifica militantes jihadistas e membros da oposição política como "terroristas".

Assad ressaltou não ser contra cooperar com outros países na questão do 'EI'. Mas declarou que se recusaria a conversar com autoridades americanas porque, segundo ele, elas "não falam com ninguém, a não ser com fantoches" - numa aparente referência a líderes da oposição apoiados pelo Ocidente e países árabes do Golfo Pérsico.

"Eles facilmente atropelam o direito internacional, a nossa soberania. Então não falam conosco, e nós não falamos com eles."

Assad rejeitou esforços dos EUA para treinar e equipar forças rebeldes "moderadas" para enfrentar o 'Estado Islâmico' na Síria, qualificando a ideia de "sonho". Para o líder sírio, não há forças moderadas no conflito, apenas extremistas do 'EI' e do braço da Al-Qaeda na Síria, a Frente al-Nusra.

Conflito sírio

O conflito na Síria, que teve início há quatro anos com protestos pacíficos contra o regime de Assad, já deixou cerca de 200 mil mortos e 3,2 milhões de refugiados.

Na entrevista, Assad negou que forças do governo sírio tenham lançado as chamadas "bombas de barril" - tambores com estilhaços e explosivos - indiscriminadamente em áreas controladas por rebeldes, matando milhares de civis. Ele rejeitou a alegação como uma "história infantil".

"Temos bombas, mísseis e balas... Não há bombas de barril, não temos barris", disse. "Eu conheço o Exército. Eles usam balas, mísseis e bombas. Não ouvi falar do Exército usando barris - ou, talvez, panelas."

Para Bowen, as declarações de Assad são altamente controversas, já que a morte de civis por ataques de bombas de barril estão bem documentadas.

Ativistas de direitos humanos afirmam que as bombas de barril são normalmente lançadas de helicópteros em altas altitudes para evitar fogo antiaéreo.

Acredita-se que apenas forças do governo tenham capacidade de operar as aeronaves. E segundo as organizações, destas alturas, é impossível alvejar com precisão. Mas, segundo Assad, "não há armas (de uso indiscriminado)".

"Quando você atira, você mira; e quando mira, mira nos terroristas para proteger os civis. Você não pode ter uma guerra sem vítimas", disse.

Assad também negou que as forças do governo tenham utilizado cloro como arma, apesar de investigadores da Organização para a Proibição de Armas Químicas terem apoiado alegações de que pelo menos 13 pessoas morreram numa série de ataques de helicópteros em três aldeias no ano passado.

O presidente defendeu o cerco a áreas controladas pelos rebeldes em toda a Síria. Ativistas dizem que a medida deixou moradores civis em situação de fome.

"Na maior parte das áreas onde os rebeldes assumiram, os civis fugiram e chegaram a nossas áreas", disse. "Ou seja, na maioria das áreas que cercamos e atacamos, existem apenas militantes."

Análise: Jeremy Bowen, editor de Oriente Médio da BBC

Para muitos inimigos de Assad, o presidente está por trás de uma máquina de matar que tem castigado sírios.

Agora que o conflito civil sírio entra no seu quinto ano, as chamadas bombas de barril tornaram-se a arma mais notória do arsenal do regime.

Dois ou três anos atrás, vi o que supostamente uma delas causou em Douma, subúrbio de Damasco tomado pelo rebeldes pouco depois do início da guerra.

Assad insistiu que o Exército sírio nunca usaria tais bombas em locais onde pessoas vivem. Foi uma resposta irreverente.

A menção a panelas foi ou insensibilidade, numa tentativa desajeitada de humor, ou um sinal de que Assad está totalmente desconectado da realidade.

Mas ele parecia relaxado para um homem no centro de uma catástrofe mundial. Estava cordial e risonho. Mas quando o assunto foi defender o seu legado ou a conduta das forças sírias, ele foi firme.

O fato de que Assad tenha voltado a dar entrevistas a jornalistas estrangeiros deve ser um sinal de que ele se sente mais seguro. A queda do seu governo foi previsto diversas vezes desde o início da guerra. Ao contrário, ele parece se sentir mais seguro do que nunca.

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