Segundo testemunhas, meninas de 12 e 15 anos foram levadas do vilarejo de Warabe por um suposto militante do Boko Haram

Supostos militantes do Boko Haram sequestraram mais oito meninas no nordeste da Nigéria, informou morador do vilarejo de Warabe, no estado de Borno, nesta terça-feira (6).

Ontem: Líder do Boko Haram ameaça 'vender' jovens raptadas na Nigéria

Mulher segura cartaz durante manifestação sobre o sequestro das meninas de uma escola em Chibok, Nigéria (5/05)
Reuters
Mulher segura cartaz durante manifestação sobre o sequestro das meninas de uma escola em Chibok, Nigéria (5/05)

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De acordo com a fonte, o sequestro das jovens, com idade entre 12 e 15 anos, aconteceu na noite de domingo (4). A agência de notícias Reuters relata o crime citando fontes não identificadas da polícia local e de um morador da vila nigeriana.

Homens armados chegaram em dois caminhões e levaram, além das jovens, animais e alimentos da aldeia. A comunicação é muito pobre na região, o que explica a demora na divulgação sobre o recente crime do grupo islâmico, explicou o correspondente da BBC em Abuja, Mansur Liman.

A vila também fica próxima da floresta Sambisa, por onde o primeiro grupo de estudantes raptadas passou após ter sido raptado de escola em Chibok, no dia 14 de abril.

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Em vídeo divulgado na segunda, o suposto líder do Boko Haram - que significa "a educação ocidental é pecado" -, Abubakar Shekau, assumiu a responsabilidade pelo sequestro em massa e ameaçou 'vender' as mais de 230 estudantes. Sem notícias das filhas, pais foram às ruas em grandes cidades da Nigéria para clamar por informações sobre as desaparecidas.

Relato de uma vítima 

Meninas do dormitório escolar de Chibok puderam ouvir o som de tiros vindos de uma cidade vizinh, no nordeste da Nigéria. Então, quando homens armados e trajados com uniformes militares prometeram defendê-las, em um primeiro momento, as alunas de uma escola secundária estadual ficaram aliviadas.

“Não se preocupem, nós somos soldados”, uma estudante de 16 anos lembra de ter ouvido. “Nada irá acontecer com vocês”.

Um homem armado instruiu as centenas de estudantes a saírem do colégio. Enquanto isso, outro homem entrou em uma sala cheia de mantimentos e levou toda a comida. Depois, eles atearam fogo no local.

“Eles começaram a gritar 'Allahu Akhbar' (Deus é bom)”, disse a aluna de 16 anos. “E nós sabemos.”

O que elas descobriram a seguir as fizeram gelar: eles não eram soldados do governo de jeito nenhum, mas sim um grupo extremista islâmico chamado Boko Haram e haviam sequestrado o grupo de meninas, levando-as em caminhonetes pela densa floresta.

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Três semanas depois, 276 garotas ainda estão desaparecidas. Ao menos duas delas morreram vítimas de picada de cobra e outras cerca de 20 estão doentes, de acordo com um intermediário que está em contato com os sequestradores.

A situação das jovens - e o fracasso dos militares da Nigéria em encontrá-las - tem atraído a atenção internacional para uma escalada insurreição extremista islâmica que já matou mais de 1.500 somente este ano.

Abril: Pais se desesperam com falta de notícias sobre as filhas sequestradas na Nigéria

Os governos britânico e norte-americanos têm manifestado preocupação com o destino dos estudantes desaparecidas, e protestos surgiram nas principais cidades da Nigéria e em Nova York.

A adolescente de 16 anos estava entre as cerca de 50 estudantes que escaparam dos sequestradores naquele dia fatídico, e falou pela primeira vez por telefone com a Associated Press. A AP também entrevistou cerca de 30 outras pessoas, incluindo autoridades do governo nigeriano e estaduais de Borno, funcionários da escola, seis parentes das meninas desaparecidas, líderes da sociedade civil, políticos no nordeste da Nigéria e soldados na zona de guerra.

Muitos falaram em condição de anonimato, temendo que dando seus nomes também iria revelar as identidades das meninas e submetê-las a uma possível estigmatização nesta sociedade conservadora.

*Com AP, Reuters, CNN e BBC

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