Presidente americano afirma que Rússia está "do lado errado da história" e avisa Moscou sobre série de sanções econômicas

Obama responde a pergunta de jornalista sobre Ucrânia
AP
Obama responde a pergunta de jornalista sobre Ucrânia


O presidente americano Barack Obama disse a repórteres, nesta segunda (3), que está cogitando opções econômicas e diplomáticas para isolar a Rússia. Obama convocou o Congresso para trabalhar em um pacote de ajuda à Ucrânia. Os Estados Unidos afirmaram ter, uma ampla gama de opções para agir contra a Rússia caso as tensões sobre a Ucrânia aumentem.

"Ao longo do tempo isso será custoso para a Rússia. E agora é o momento para eles considerarem se podem cumprir seus interesses através da diplomacia e não pela força", disse Obama.

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O presidente americano afirmou ainda que a Rússia está "do lado errado da história" e que a intervenção militar da Rússia na Ucrânia viola a soberania ucraniana e o direito internacional . Ele afirmou também que Moscou já foi alertada de que o governo dos EUA vai buscar uma série de sanções econômicas e diplomáticas para isolar a Rússia. 

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A União Europeia também ameaçou tomar "medidas específicas", a menos que a Rússia recue e abra negociações com o novo governo da Ucrânia.

O presidente russo Vladimir Putin, no entanto, não deu nenhuma indicação de ter considerado  às advertências do Ocidente. Centenas de homens armados cercaram uma base militar ucraniana na Criméia, uma região pró-Rússia. Em Kiev, capital da Ucrânia, o primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk afirmou "estar à beira de um desastre".

Na segunda-feira, ficou claro que a Rússia tem o controle operacional completo da Crimeia. Soldados russos controlam os postos fronteiriços da região, bem como todas as instalações militares no território. Tropas também controlava um terminal de balsas na cidade de Kerch. Isso intensificou os temores em Kiev de que Moscou avançaria pela Ucrânia.

O porta-voz da autoridade de fronteira Sergei Astakhov disse que os russos estavam exigindo que soldados ucranianos e guardas transferissem a lealdade à Rússia.

"Os russos estão se comportando de forma muito agressiva", disse. "Eles estão quebrando tudo e cortando todas as comunicações", disse.

Ele disse que quatro navios militares russos, 13 helicópteros e oito aviões de carga tinham chegado na Crimeia, em violação ao acordo que permitem que a Rússia mantenha sua Frota no Mar Negro. Ela tem uma base na região da Crimeia, mas o envio de forças adicionais à base é limitado.

Ainda que não esteja claro o que o Ocidente pode fazer para que a Rússia volte atrás, aparentemente as armas mais à mão, tanto para os EUA quanto para a União Europeia, são as sanções econômicas. Na segunda-feira, a União Europeia ameaçou congelar a liberação de vistos e negociações de cooperação econômica além de boicotar o encontro do G8, caso Moscou não recue.

De fato, as consequências econômicas para a Rússia já estão sendo sentidas: o mercado de ações caiu cerca de 10% na segunda-feira e a moeda local chegou ao ponto mais baixo em relação ao dólar. Mesmo assim, as consequências econômicas do choque com a Rússia também são caras para a União Europeia. Ela depende do gás natural russo, que é transportado por uma rede de gasodutos que passam inclusive pela Ucrânia.

* Com informações da Reuters e AP 

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