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Ocupações acontecem enquanto ativistas pró-União Europeia aumentam tensão com novas barricadas em Kiev

Manifestantes ucranianos levantaram mais barricadas nas ruas e ocuparam o prédio do Ministério de Agricultura na capital nesta sexta-feira, enquanto mantiveram sob seu controle vários escritórios do governo no oeste do país, aumentando ainda mais a tensão depois do fracasso de tentativas de diálogo para colocar fim à crise com o presidente Viktor Yanukovych.

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Padres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1)
AP
Padres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1)

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Após se reunirem com Yanukovych durante várias horas na quinta-feira, líderes da oposição disseram às multidões que ele prometeu assegurar a libertação de dezenas de manifestantes detidos depois de confrontos com a polícia e não realizar novas detenções. Eles conclamaram os manifestantes a manter uma vacilante trégua depois de batalhas de rua em Kiev, mas foram vaiados por manifestantes ansiosos para retomar os embates contra a polícia.

Apesar disso, cerca de 1 mil manifestantes aceitaram deixar a Praça da Independência, na capital, nas primeiras horas desta sexta-feira e começaram a levantar novas barricadas perto da sede presidencial. Com máscaras e alguns carregando escudos policiais como troféus, os manifestantes montaram guarda enquanto outros empilhavam sacos de areia cobertos de neve ao longo de vias próximas à praça.

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Depois de participar da segunda rodada de negociações com o presidente na noite de quinta-feira, o líder da oposição Vitaly Klitschko expressou temores de que o impasse agora possa levar a novo derramamento de sangue.

Ao menos dois participantes de protestos foram mortos até agora a bala depois de confrontos entre manifestantes liderados por radicais e policiais. "Horas de conversas foram gastas para nada. Não há sentido em sentar e conversar à mesa de negociações com alguém que já está decidido a enganar", disse Klitschko.

Além da tomada de controle do ministério em Kiev, centenas de manifestantes invadiram na quinta o escritório de Oleh Salo, governador indicado pelo presidente em Lviv, perto da fronteira da Polônia, forçando-o a assinar uma carta de renúncia. Eles se recusam a deixar o local e também não permitem a entrada dos funcionários.

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Os manifestantes também retiveram o controle de escritórios em quatro outras cidades no oeste, embora tenham sofrido uma derrota em Cherkasy, a cerca de 150 km a sudoeste de Kiev, onde a polícia ergueu barricadas dentro do prédio do governador e evitou a tomada de controle.

Enquanto isso, Yanukovych convocou uma sessão especial do Parlamento para a próxima semana para discutir as tensões.

Os protestos amplamente pacíficos contra a decisão de Yanukovych de esnobar a União Europeia e se aproximar de Moscou em novembro acabaram se tornando violentos no domingo, quando os manifestantes, irritados com a aprovação na semana passada de leis repressivas para pôr fim às manifestações , marcharam em direção a prédios do governo. Durante dias, os manifestantes jogaram bombas incendiárias e pedras contra a polícia, que respondeu com granadas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha.

*Com AP e reuters

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