Minoria muçulmana se recusa a deixar local em Mianmar ameaçado por ciclone

Por iG São Paulo |

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Ordem de esvaziamento foi ignorada por moradores da etnia rohingya que vivem na costa, região vulnerável ao ciclone Mahasen, que deve atingir território na sexta-feira

Uma ordem de esvaziamento dos campos de baixa altitude em Mianmar antes da passagem de um ciclone se transformou em uma difícil tarefa, pois muitos membros da minoria muçulmana de etnia rohingya que vivem nos locais se recusaram a deixar suas casas por não confiar no governo do país.

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AP
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Cerca de 140 mil moradores, a maioria da etnia rohingya vivem em abrigos improvisados no Estado de Rakhine desde o ano passado, quando dois episódios de violência sectária entre a minoria muçulmana e os budistas expulsaram muitos dos rohingyas de suas casas. Cerca de metade dos desabrigados estão em áreas costeiras consideradas muito vulneráveis a tempestades e inundações que podem ser provocadas pelo ciclone Mahasen, previsto para atingir o território na sexta-feira.

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Nos arredores da capital do Estado na quarta-feira, uma comunidade de centenas de muçulmanos da etnia rohingya se recusou a ceder, apesar de forte persuasão do Exército. "Quando dissemos que uma tempestade estava chegando, não acreditaram na gente", disse o tenente Lin Lin. "Eles se recusam a sair."

Dentro do acampamento, o motorista U Kyaung Wa disse que os moradores estavam cansados de cumprir ordens das autoridades de Mianmar. Segundo ele, eles já foram obrigados a se locomover para o acampamento, porque suas casas foram destruídas com a violência no ano passado.

"Agora eles dizem: 'Você tem que sair por causa da tempestade", disse. "Continuamos nos recusando a sair... só saíremos se eles apontarem armas contra nós."

O ciclone que atravessa o Oceano Índico aparentemente se enfraqueceu, mas continua a ser "ameaçador" para mais de oito milhões vivendo nas costas da Índia, Bangladesh e Mianmar, segundo afirmou a ONU nesta quarta. Mahasen foi rebaixado à categoria 1.

Fortes chuvas e inundações no Sri Lanka provocaram oito mortes no início da semana, segundo Sarath Lal Kumara, porta-voz do Centro de Emergências do país.

Em Mianmar, ao menos oito moradores fugindo do ciclone foram mortos quando botes lotados carregando mais de 100 muçulmanos da etnia rohingya naufragou. Apenas 42 passageiros foram resgatados na quarta-feira, e as buscas continuam para tentar encontrar mais de 50 desaparecidos, informou o vice-ministro da Informação Ye Htut.

O governo de Mianmar planejou realocar 38 mil moradores no Estado de Rakhine até quinta-feira, mas "não está claro quantas pessoas foram de fato realocadas", disse o gabinete da ONU, acrescentando que líderes muçulmanos no país pediram para que o povo coopere com o governo.

A situação se complicou por causa do sentimento anti-muçulmano que existe no Estado de Rakine. Os muçulmanos da etnia rohingya sofreram décadas de discriminação em Mianmar, que não os considera cidadãos.

Com AP

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