Ciberataques contra EUA tiveram origem na China, diz empresa de segurança

Por iG São Paulo |

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Segundo relatório de companhia americana, unidade militar chinesa estaria por trás do roubo de milhares de dados e informações de empresas americanas; Pequim nega acusações

Ciberataques que conseguiram roubar diversas informações e dados do Exército, de empresas de energia e de outras indústrias importantes dos EUA e de outras partes do mundo teriam tido origem em uma unidade militar da China, informou uma empresa de segurança americana nesta terça-feira (19). A China negou as acusações e classificou o relatório como "baseado em informações infundadas".

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AP
Prédio que abriga a Unidade 61398 do Exército Popular de Libertação fica localizado nos arredores de Xangai, na China


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A China tem sido frequentemente acusada de quebrar códigos e sistemas, mas o relatório feito pela empresa Mandiant, de Virgínia, contém acusações extensas e detalhadas que ligam o Exército do país a uma onda de ciberataques contra os EUA, empresas estrangeiras e agências do governo do país.

A Mandiant diz ter rastreado os ciberataques e sua origem foi detectada em um bairro nos arredores Xangai onde fica um prédio branco de 12 andares controlado pela Unidade 61398 do Exército Popular de Libertação.

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A unidade "roubou sistematicamente centenas de terabytes de dados de ao menos 141 organizações", escreveu a Mandiant. Em comparação, o arquivo do Twitter da Bilblioteca do Congresso dos EUA, entre 2006 e 2010, com cerca de 170 bilhões de tuítes, possui um total de 133.2 terabytes.

"Pelas nossas observações, é um dos mais férteis grupos de ciberespionagem em termos de quantidade de informação roubada", afirma a empresa. Ela acrescenta que a unidade está em operação desde 2006.

Mandiant informou que ter decidido revelar os resultados das investigações valeu o risco de os hackers mudares suas táticas, o que tornaria suas ações mais difíceis de serem rastreadas.

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"É hora de reconhecer que a ameaça tem origem na China, e queremos fazer nossa parte para armar e preparar profissionais da segurança para combater essa ameaça de forma eficaz", diz o relatório.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Hong Lei disse nesta terça-feira duvidar que as evidências levantadas pela empresa sobrevivessem a um escrutínio. "Fazer acusações infundadas baseadas em qualquer material não é nem responsável nem profissional", disse a repórteres.

Lei voltou a repetir que a China proíbe estritamente a ciberespionagem e que o país foi uma grande vítima de crimes como esse, cometidos na maioria das vezes pelos EUA. "Todo ano, os ciberataques contra a China têm aumentado rapidamente", disse.

Mandiant afirmou que suas descobertas a levaram a alterar a conclusão de um relatório de 2010 sobre hackers chineses, no qual havia dito que não era possível determinar a extensão do conhecimento do governo do país sobre tais atividades.

"Os detalhes que analisamos durante centenas de investigações nos convence que os grupos que conduzem estas atividades estão na China e que o governo chinês tem conhecimento disso", disse a empresa em um resumo de seu mais recente relatório.

Com AP

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