Potências e Irã retomam negociação nuclear em Bagdá

Enviados dos dois lados trocam propostas sobre programa nuclear iraniano, mas não esperam deixar reunião com acordo

iG São Paulo |

Diplomatas de seis potências mundiais e do Irã trocaram propostas em uma nova rodada de negociações com o objetivo de esclarecer as suspeitas internacionais sobre o programa nuclear iraniano . A reunião em Bagdá um dia após o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, ter dito que espera assinar “ muito em breve ” um acordo com o Irã.

Diplomatas de EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha ofereceram uma proposta baseada principalmente na suspensão do enriquecimento de urânio a 20% no Irã. Horas depois, Teerã ofereceu uma contraproposta que incluía “questões nucleares e não nucleares”, segundo um enviado do país. Acredita-se que as sanções internacionais tenham complicado as discussões, já que um alívio das punições impostas ao governo iraniano teria sido descartado pelas potências.

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Reuters
A chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, posa para foto com o negociador-chefe do Irã, Saeed Jalili, antes de reunião em Bagdá, no Iraque

Não há detalhes sobre nenhuma das duas propostas e o porta-voz da delegação da União Europeia, Mike Mann, não quis comentar se a questão do enriquecimento de urânio pode representar um impasse capaz de pôr fim às negociações, retomadas no mês passado após entrarem em colapso em 2011.

O urânio enriquecido a 20% não é necessário para reatores de energia nuclear, o que aumenta as suspeitas de que o Irã busca desenvolver armas atômicas. Teerã nega a acusação e afirma que seu programa tem fins pacíficos.

Nenhum dos dois lados espera chegar a um acordo em Bagdá, já que as estratégias ainda estão sendo definidas para o que promete ser um longo processo de negociação."Podemos fazer progressos, mas essas coisas não podem ser resolvidas em uma noite", disse Mann.

Um diplomata americano disse que a reunião no Iraque busca verificar a seriedade do Irã nas negociações. As discussões, segundo Mann, devem ser pouco impactadas pelas declarações de Amano feitas na véspera e ainda encaradas com ceticismo pelo ocidente.

De volta à Viena, na Áustria, após um dia de negociações em Teerã, Amano disse que as diferenças que persistem quanto a “alguns detalhes” não impedirão um acordo.

“Uma decisão foi tomada para concluirmos (as negociações) e assinarmos um acordo. Posso dizer que será assinado muito em breve”, disse Amano, que se reuniu em Teerã com o negociador Saeed Jalili, que agora está em Bagdá. “Entendemos a posição um do outro, apesar de algumas diferenças quanto a alguns detalhes”. Ele não especificou quais.

Amano descreveu o resultado da reunião como “um progresso importante”. Ele busca um acordo que dê a seus inspetores acesso livre para investigar as suspeitas ocidentais de que o Irã busca construir um arsenal nuclear, o que Teerã nega.

O chefe da AIEA disse ter mencionado a necessidade de acesso à instalação militar de Parchin - uma prioridade da agência - e que isso seria parte de um eventual acordo.

Com AP e AFP

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