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Especialistas ouvidos pelo iG tiram dúvidas sobre se cuidado com o mosquito Aedes aegypti, transmissor das três doenças, deve ser reduzido ou intensificado durante o período de frio

Água acumulada em vasos de planta pode se tornar um criadouro do mosquito Aedes aegypti
Peter Leone/Futura Press - 05.03.16
Água acumulada em vasos de planta pode se tornar um criadouro do mosquito Aedes aegypti

Engana-se quem pensa que a prevenção contra o Aedes aegypti , transmissor da dengue, zika vírus e febre chikungunya, deve ser feita somente no verão. Agora, no outono, e até mesmo no inverno, quando a população do mosquito está relativamente mais baixa, os cuidados devem permanecer e serem até intensificados, segundo especialistas consultados pelo iG .

A bióloga Margareth Capurro, professora associada do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, explica que a proliferação do Aedes pode continuar alta em diversas cidades do Brasil, já que em muitas a mudança entre inverno e verão é sutil. Como exemplo, ela cita Recife. “Lá o frio ainda vai ser quente, uma média de 25ºC. E ainda tem o tempo chuvoso, ou seja, não muda muito. A população do mosquito vai permanecer em elevação”, prevê ela.

Segundo a bióloga, que vem estudando o Aedes aegypti já há alguns anos, pode-se dizer que a possibilidade de contrair as doenças nesta época é menor. Isso porque no inverno não ocorrem os picos de epidemia – quando há uma população suscetível ao vírus –, ou seja, menos pessoas ficam doentes.

No entanto, Margareth diz que o risco não está descartado. “A gente não tem de se deixar enganar só porque o inverno está aí e não cuidar do mosquito, até porque ele não deixa de existir. Ele está em uma fase dormente, mas ainda está presente”, assegura.

O infectologista Juvêncio Furtado, coordenador científico da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), também afirma que o frio limita a população de Aedes aegypti , mas que, mesmo assim, ainda haverá ocorrências no período. “Se formos para os Estados do Sul, os casos de dengue, por exemplo, serão menores do que no Nordeste e Centro-Oeste. Mas é evidente que lá também vai haver a transmissão”, avalia.

Ele enfatiza que as medidas de prevenção contra o mosquito devem continuar sendo feitas. “Quando se faz o combate durante todo o ano, quando se impede os criadouros, é ai que nós temos uma redução do número de casos no ano seguinte.”

Para afastar o Aedes aegypti e diminuir a chance de contrair a dengue, o zika vírus e a chikungunya, é essencial não deixar água acumulada em vasos de plantas e pneus, usar roupas brancas e compridas e utilizar repelente.

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