Nota dos alunos do ensino médio sobe no Enem de 2010

Para MEC, crescimento de 10 pontos, em escala que vai de 0 a 1000, é positivo. Na segunda, resultados por escola serão divulgados

Priscilla Borges, iG Brasília | 10/09/2011 18:00

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As notas dos estudantes que estavam concluindo o colégio e participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2010 aumentaram. Em 2009, primeiro ano em que o exame passou a ser usado para selecionar estudantes para universidades, a média nacional foi de 501,58. No último exame passou para 511,21 nas provas objetivas.

Os 10 pontos a mais – pouco diante de uma escala que varia de 0 a 1000 – são considerados positivos pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Especialmente porque o aumento na média ocorreu com mais estudantes em fase de conclusão do ensino médio fazendo a prova. Do total de 1,7 milhão de jovens que terminaram o colégio em 2009, 45,8% (824 mil) participaram da prova. No ano passado, essa proporção foi de 56,4% (1 milhão).

Apesar de o MEC não ter estabelecido metas a partir das notas do Enem, Haddad diz que é possível comparar o desempenho dos estudantes do ensino médio no exame com as notas dessa etapa no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A meta do ensino médio é atingir nota 6 no Ideb (equivalente ao desempenho dos países desenvolvidos no PISA) em 2028. Segundo o ministro, isso corresponde a alcançar média nacional 600 até o mesmo ano, um crescimento de 100 pontos em relação à média estabelecida para o exame em 2009.

“Isso significa que andamos 10% do nosso caminho. Estou fazendo uma tradução livre para dar noção do que significam esses dez pontos de incremento. Se esse resultado fosse mantido nos próximos anos, atingiríamos a meta em dez anos”, diz. Haddad ressalta, no entanto, que ainda é cedo para afirmar que há uma tendência de crescimento nas notas. Se a participação dos alunos aumentar, o ministro admite que poderá haver uma queda nas médias.

Essa é a primeira vez que as notas obtidas pelos estudantes no Enem podem ser comparadas de um ano para outro. Em 2009, o Inep adotou uma nova metodologia para o exame, a Teoria da Resposta ao Item (TRI). O método permite que provas diferentes tenham o mesmo nível de dificuldade, porque os itens são calibrados e pré-testados antes de serem utilizados nas avaliações. A redação não foi considerada, já que ela não é comparável de uma avaliação para outra.

O que estudantes, professores e sociedade aguardam, desde o ano passado, é uma “tradução” da nova escala do Enem. Não é possível compreender, hoje, a partir das médias, se os conceitos que os estudantes alcançaram são bons ou ruins. Essa interpretação da escala do Enem estava prometida para o ano passado, mas até agora não ficou pronta. Segundo o MEC, ainda não há previsão para que seja divulgada.

 

ENTENDA A ESCALA
Em 2009, o Enem utilizou pela primeira vez o método TRI, que permite comparações entre provas diferentes. Para isso, era preciso criar uma escala. Assim como na escala “Celsius” usou-se como referência o ponto de congelamento da água, que passou a ser definido como “zero”, o Enem utilizou a nota dos alunos concluintes do ensino médio e chamou de “500”. Agora, esse ponto de partida não muda mais e também não precisa ser mais calculado. Todas as notas serão colocadas nessa escala e comparadas.

 

Analogia complicada

Haddad reconhece que as escalas usadas no Enem e na avaliação que compõe o Ideb – o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) – são diferentes. Segundo ele, porém, a correlação entre os resultados das duas permite a comparação.

Especialistas nas avaliações estatísticas do Inep consultados pelo iG afirmam que a comparação faz sentido, mas alertam que análises mais precisas exigiriam cálculos e tempo de pesquisa. Reynaldo Fernandes, ex-presidente do Inep, ressalta que o crescimento de 10% do desvio-padrão (no Enem, o desvio-padrão estabelecido é de 100 pontos), em qualquer avaliação, representa avanço.

Foto: Guilherme Lara Campos/Fotoarena Ampliar

Participação dos estudantes em fase de conclusão do ensino médio aumentou, mas 44% dos concluintes ainda não se interessa pelas provas

“Mas precisamos lembrar que o Enem não avalia o conhecimento só do ensino médio, mas o estoque acumulado pelo estudante durante a vida. Não se muda um processo educacional em dois anos”, afirma. Maria Helena Castro, que também foi presidente do Inep e secretária de Educação de São Paulo, não concorda com o uso do exame para avaliar escolas ou sistemas de ensino. “O Enem avalia o aluno”, diz.

A vontade do ministro da Educação é a de que o Enem seja transformado em componente curricular do ensino médio, o que significaria submeter todos os alunos ao exame. Ele acredita que o vestibular “desorganiza” a escola, porque exige preparação para diferentes processos seletivos.

“Nosso objetivo é mirar a universalização, mesmo se o estudante não pretende entrar no ensino superior. Estamos confiantes de que o Enem é um instrumento que auxilia a organização racional do currículo e orienta o trabalho dos professores em sala de aula. O vestibular desorganiza a escola e o Enem organiza”, comenta.

Resultados por escola

Nesta segunda-feira, os resultados do Enem 2010 por escola serão divulgados. Além das informações tradicionais sobre notas em cada avaliação e médias, o Inep decidiu divulgar a taxa de participação dos estudantes de cada colégio no exame. A ideia é evitar a criação de rankings entre os colégios sem que a diferença de estudantes que fizeram as provas seja considerada.

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