Ciência sem Fronteiras: 156 instituições aderiram ao programa

Estudantes podem pressionar convênio entre universidades e governo. Sem adesão, alunos não podem disputar bolsas de estudo

Priscilla Borges, iG Brasília |

Um dos pré-requisitos mais importantes para quem deseja concorrer a uma das 12,5 mil bolsas de estudo no exterior oferecidas pelo programa Ciência sem Fronteiras não depende dos candidatos. É que para disputar uma das vagas anunciadas nesta terça-feira pela presidenta Dilma Rousseff as universidades de origem dos candidatos precisam ter, obrigatoriamente, assinado um compromisso de adesão ao programa.

Segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), até o momento, 156 instituições toparam participar do projeto que, até 2014, vai oferecer 101 mil bolsas de estudo (75 mil pelo governo e 26 mil pela iniciativa privada) a estudantes de graduação e pós-graduação. O programa foi anunciado em julho e, de lá para cá, apenas um edital de 1,5 mil bolsas foi lançado para “testar o interesse dos candidatos”.

Com essa primeira experiência , um fenômeno interessante foi observado pela Capes. Muitos jovens se candidataram sem que as instituições onde estudam tivessem estabelecido a parceria com o programa, gerenciado também pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A “pressão” fez com as universidades corressem contra o relógio e adotassem as medidas exigidas pela Capes e o CNPq para participar do projeto.

Até o momento, 54 federais já aderiram ao projeto, outras 26 estaduais e cerca de 20 institutos federais. O restante das adesões é de instituições privadas. Os estudantes podem se inscrever sozinhos, sem que a instituição faça a intermediação, no site. A Capes e o CNPq, por sua vez, continuarão apresentando os pedidos às universidades, para sensibilizá-las para participar do programa. Mas as instituições têm liberdade para aderir ou não ao projeto.

A justificativa é simples: os universitários participantes do programa precisam de garantias de que os estudos feitos no exterior serão aproveitados no Brasil. O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), João Luiz Martins, não acredita que as universidades deixarão de participar. Ele garante que todas as federais estão interessadas no projeto e diz que os estudantes, também.

“Os nossos estudantes querem uma formação mais global e estão buscando alternativas. Desde julho, quando o programa foi lançado, a procura deles por ajuda e informações nas universidades foi intensa”, conta.

Inscrições

Os interessados em participar do programa já podem se candidatar. As inscrições começaram nesta terça-feira, dia 13, e vão até 15 de janeiro de 2012. Há 12,5 mil bolsas de estudo disponíveis para os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Itália e França. O Ciência sem Fronteiras vai beneficiar estudantes e pesquisadores das áreas de ciências básicas, engenharia e tecnologia, nas modalidades graduação-sanduíche, educação profissional e tecnológica e pós-graduação (doutorado-sanduíche, doutorado pleno e pós-doutorado).

Os critérios para seleção para as bolsas diferem em cada edital, mas têm pontos em comum. Os candidatos de graduação devem ter no mínimo 600 pontos no Enem e ter bom desempenho acadêmico. Prêmios em olimpíadas escolares e participação em projetos de iniciação científica também contam pontos – e no caso dos estudantes que se candidatam mesmo sem que a instituição faça parte do programa, é essencial.

As informações sobre as bolsas e as exigências para concorrer estão no site do programa Ciência sem Fronteiras. No mesmo endereço, interessados em concorrer devem preencher formulários e enviar documentação em formato PDF.

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