Brasileiro medalhista internacional em astronomia sonha em ser médico

Por Cinthia Rodrigues |

compartilhe

Tamanho do texto

Caso raro, talento de 15 anos que se destacou em olimpíada da área de exatas pretende prestar Medicina

O Brasil encerrou a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica na Grécia no domingo com seu melhor resultado desde que começou a participar em 1998. Segundo o professor organizador do concurso brasileiro e responsável pela equipe, João Canalle, o desempenho crescente se deve a seleção entre mais de 800 mil alunos de todo o País. Um dos cinco medalhistas, Allan dos Santos Costa, de 15 anos, no entanto, afirma que deixará a área de exatas para se tornar médico.

Matemática: Brasil conquista quatro medalhas na Olimpíada Internacional

Arquivo pessoal
Allan representou o Brasil na Grécia no início do mês e conquistou medalha, mas profissionalmente quer outra área


“Eu curto muito matemática, mas para trabalhar quero lidar com biologia, saúde e meio ambiente”, disse o rapaz de Bauru. Ele está no segundo ano do ensino médio no Colégio COC da cidade e estreou na disputa internacional na edição deste ano, que ocorreu na Grécia. Voltou com uma das três medalhas de bronze - a equipe também conquistou duas de prata.

Leia também: Como é o ensino de Medicina pelo Mundo

Questionado pelo iG sobre as recentes polêmicas que envolvem os cursos de Medicina e a aceitação de estrangeiros no Brasil, Allan diz concordar com programas que pedem a estudantes de universidades públicas que atuem no Sistema Único de Saúde (SUS) e que cidades sem profissionais brasileiros possam receber os de outros países. "É complicado porque muita gente quer fazer Medicina, então o governo precisa investir também em possibilitar isso, mas sou a favor de o maior número de pessoas conseguir o atendimento", comentou.

A escolha de uma carreira em outra área surpreendeu o coordenador da Olímpiada Brasileira de Astronomia (OBA). “Não colocamos nenhum impedimento para pessoas que querem seguir qualquer carreira participar, mas casos como o do Allan são muito raros”, diz o coordenador. “A exigência nestes eventos é muito alta e também acabam sendo feitos contatos que abrem portas no futuro acadêmico por isso a maioria fica mesmo em exatas, fiquei surpreso com a exceção.”

A pernambucana Larissa Fernandes de Aquino, de 18 anos, também conquistou uma medalha de prata e participa também de competições nacionais em Física, Matemática e Química. Na contagem regressiva para o vestibular, está certa de que cursará exatas. “Vou prestar Física no Brasil e nos Estados Unidos. A experiência das olimpíadas só me fez ter mais certeza e mais gosto pela área”, disse.

Também foram premiados os paulistas Daniel Mitsutani, de São Paulo, e Luís Fernando Valle, de Guarulhos, com prata e Fábio Kenji Arai, também de São Paulo, com o bronze. Antes de viajarem, os estudantes tiveram dois treinamentos intensivos com professores e astrônomos na cidade de Passa Quatro, sul de Minas Gerais, com professores de várias universidades brasileiras.

Para participar é preciso começar pelas Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), cujas inscrições são abertas no site http://www.oba.org.br

Leia tudo sobre: olimpíadaastronomiamedicina

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas