O ano de Michael Fassbender
Em cartaz no Brasil com "Shame", ator é um dos nomes mais quentes hoje em Hollywood
Mas não foi só isso. Fassbender ainda esteve à frente da elogiada adaptação do romance "Jane Eyre", inédita no Brasil, e encarnou Carl Jung em "Um Método Perigoso", de David Cronenberg, outro trabalho que chamou um bocado de atenção. Incansável, logo também vai aparecer na ação "À Toda Prova" e no esperado "Prometheus", a volta de Ridley Scott ao universo de "Alien, o Oitavo Passageiro".
É muita coisa, e todos projetos de destaque. Hollywood descobriu tardiamente, e ao mesmo tempo, o talento do ator de 34 anos, hoje um dos nomes mais quentes no mercado.
Não foi sempre assim. Nascido na Alemanha Ocidental, mas criado na Irlanda, Fassbender viu sua primeira grande chance na premiada minissérie "Band of Brothers" (2001), projeto de Steven Spielberg e Tom Hanks sobre a Segunda Guerra Mundial. Era sua estreia na televisão, a chance de ver a carreira deslanchar. "Eu era arrogante e estúpido", recordou o ator recentemente. "Depois disso, fiquei um tempão sem trabalhar. Me serviu de lição."
Só depois de cinco anos, em 2006, ele estreou em Hollywood, no papel de um soldado espartano em "300", com direito a cabelo comprido, abdômen pintado e tudo mais. O filme de Zack Snyder foi um sucesso e contou pontos para o ator na indústria, mas a consagração só ia chegar com "Hunger".
Exibido na mostra paralela "Um Certo Olhar", em Cannes, "Hunger" (2008), do inglês Steve McQueen (que saiu do festival com o prêmio de melhor estreante) gerou polêmica e resenhas entusiasmadas. Fassbender perdeu impressionantes 16 quilos para viver o irlandês Bobby Sands, ativista do IRA que liderou uma greve de fome na prisão em 1981 para que ele e seus companheiros passassem a ser encarados como presos políticos. Sands morreu após 66 dias, ignorado pelo governo de Margaret Thatcher.
A unanimidade para a interpretação de Fassbender abriu muitas portas. Além de um papel coadjuvante em "Aquário" ("Fish Tank"), de Andrea Arnold, o alemão se deu bem entrando para o elenco de "Bastardos Inglórios" (2009), de Quentin Tarantino – contou a seu favor, imagina-se, o fato de ter atuado e dirigido uma adaptação para os palcos de "Cães de Aluguel".
O reencontro com Steve McQueen em "Shame" voltou a render críticas superlativas para Fassbender, sem contar o prêmio de melhor ator do Festival de Veneza. Repleto de nudez (inclusive frontal), o filme consegue transcender a sensualidade das cenas de sexo para evidenciar a doença do personagem principal.
O ator não se preocupou em aparecer nu – e virar até motivo de piada na mão de comediantes – porque desde o início encarava como algo natural para a história. "Eu sabia que o sexo não estava lá para excitação ou exploração. Estava lá como forma de o público chegar à mente desse cara. Eu via todos os encontros sexuais como sendo muito reveladores sobre o que estava realmente acontecendo dentro de Brandon [o protagonista]."
Além de "Prometheus", o próximo projeto de Fassbender é "Twelve Years a Slave" (escravo por 12 anos, na tradução), mais uma parceria com McQueen, agora ao lado de Brad Pitt, que produz e atua no longa. E ele está vinculado a pelo menos outros três projetos, sem contar os que ainda não estream no Brasil (caso de "Um Método Perigoso", "À Toda Prova" e "Jane Eyre"). Michael Fassbender ainda vai longe.
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