O intrincado mundo do Prêmio Nobel

Clube de vencedores se restringe a 802 pessoas em todo o mundo, muitas vezes intimamente relacionadas

Alessandro Greco, especial para o iG | 07/10/2010 17:09

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Desde que o prêmio começou a ser entregue, 802 pessoas e 20 organizações diferentes já ganharam o Nobel. O número parece grande, mas o círculo de ganhadores está, muitas vezes, intimamente relacionado, principalmente nos prêmios de física, química e fisiologia ou medicina.

Conheça melhor os premiados do Nobel 2010 na área de Ciência

Um exemplo é o caso do mais jovem ganhador de um Nobel, o físico William Lawrence Bragg que levou o prêmio aos 25 anos, em 1915. Bragg dividiu o prêmio com o pai, Sir William Henry Bragg. Anos depois, na década de 1950, Lawrence, já então Sir Lawrence, dirigia o laboratório Cavendish, na Inglaterra, quando James Watson e Francis Crick desvendaram a estrutura de dupla hélice do DNA.

Em 1962, Watson&Crick em conjunto com Maurice Wilkins ganharam o Nobel de Fisiolofia ou Medicina pela descoberta. Na década de 1960, Watson, conhecido por seu espírito provocador, convenceu o físico Walter Gilbert a mudar de profissão e trabalhar com biologia.

Gilbert anos depois ganharia o Nobel de Química em 1980 por inventar um método de sequenciamento de DNA. Antes de virar biólogo e ganhar o Nobel, Gilbert tinha feito doutorado em teoria quântica com Abdus Salam que (já adivinharam, não?) ganharia o Nobel de Física em 1979 por sua contribuição para o entendimento de como funcionam um tipo de força da natureza, chamada força eletrofraca.

Depois do doutorado, Gilbert foi assistente do físico Julian Schwinger que (novamente) ganhou o Nobel de Física, em 1965. Mas Schwinger não ganhou sozinho o prêmio, dividindo com Sin-Itiro Tomonaga e Richard Feynman. Este último trabalhou no projeto Mannhatan, que construiu a bomba atômica. Lá trabalhou com o físico Hans Bethe (mais um Nobel) que ficou impressionado com seu talento. E por aí vai...

Talento atrai talento
As inter-relações não tem nada de esotérico apenas mostram que talento atrai talento. O que não quer dizer que não aconteçam coisas “estranhas” na premiação do Nobel, como o fato de Albert Einstein ter ganho o prêmio pelo chamado “efeito fotoelétrico” e por suas contribuições à física em 1921. Poderia muito bem ter ganhado novamente pela Teoria da Relatividade Especial e Geral, mas isso nunca aconteceu.

Uma pessoa ganhar duas vezes o Nobel é fato raro, mas já aconteceu quatro vezes. O físico Linus Pauling ganhou o Nobel de Química, em 1954, e da Paz, em 1962 – a única pessoa a ganhar duas vezes o prêmio sozinho.

Marie Curie  - uma das 40 mulheres a levar o prêmio – também foi reincidente na premiação, levou o de Física, em 1903, e o de Química, em 1911. John Bardeen, o inventor do transistor, foi laureado duas vezes, em 1956 e 1972, dois de Física. Fred Sanger ganhou em 1958 e 1980, ambos de Química – aliás, Sanger é o único ainda vivo e está hoje com 92 anos.
 

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